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FISL10 day 3 – the day I met the President

Posted by – 28/06/2009

I am a little behind on the reports on FISL, but so much has got my attention during it that blogging was just put in second. I will catch up today, hopefully.

So, during the night of day 2, all those measures I mentioned had to be put in place. That was when I learned that I was suppose to be one of the selected lecturers to meet President Lula in private, representing small free software companies (how awesome!). Others include Peter Sunde, Bdale Garbee, Jon ‘maddog’ Hall, Richard Stallman, Marcelo Tosatti, Pau Garcia-Milá, Sérgio Amadeu, Marcos Mazoni, Ana Amorin, Bruno Souza, Marcelo Branco, Sady Jacques and Mário Teza.

I was told to dress accordingly… I asked what “accordingly” meant (we were in a free software event: jeans and t-shirt seemed “accordingly” to me)… but no reasoning was taken: I had to wear a tie.

Next day I went to PUCRS early, in order to prepare some lines and gather some data I could mention to the President. Something like Free Software adoption rate, which is around 26% per year, or the 134 million USD that this market moved just last year. I would also ask the President to enforce the Free Software priority in training programs sponsored by the Federal Government. I knew I would not have time for a speech or the like, and that this would be more an informal meeting… This, though, was even more difficult to prepare (I would prefer a speech!).

So, I got my pin and went to the Arena to wait for the scheduled evacuation, after which, I was told to wait in the private room, for the President arrival. I was there with the rest of the selected lecturers, so I couldn’t see when he arrived. People told me that he went all around the exposition area, and the user group area, shaking hands and being photographed with everybody there. He even entered the Programming Arena and told the contenders they were “genius” (after all, the Programming Arena was his idea, 3 years ago). People in Debian booth told me he entered the booth and wore a Debian hat…

When he finally entered the private room, everybody had about 2-3 minutes with him in the middle of a circle. Presidential photographer took lots of pictures we were told will be sent to us later this week, but of course some of us also took our own pictures. Some of those are below, taken from Sergio Amadeu’s camera:

Marcelo Branco, President Lula and I

Peter Sunde, Sérgio Amadeu, Marcelo Tosatti - in blue, behind Sérgio -, Richard Stallman, I, Bdale Garbee, Dep. Paulo Pimenta, and President Lula

Jon ‘maddog’ Hall gave him a Tux pin and a DVD with a animation produced only with Free Software (I cannot recall the title). Richard Stallman gave him a printed version of his book. Marcos Mazoni gave him a small totem with the stamp celebrating 10 years of FISL (the stamp was an idea I had two years ago but that we couldn’t do by ourselves – Mazoni’s SERPRO had the same idea and actually did it), and all others (including myself) just told him what we where there for. For me, in particular, he asked where I was born and how I went from being a doctor to own a free software company. I had the impression somebody already told him about me beforehand (Mário or Marcelo, for sure). I told him I was doing both right now… he smiled, hugged me and went on to the next of us.

After that, we were told to take our places in the audience room (FISL3 room in the map), where we heard Marcelo Branco, FISL10 coordinator, Dilma Rousseff, minister of Civil House (and appointed to succeed Lula), and President Lula. It’s easy to find this audience in youtube. Most interesting part of Lula speech, IMHO, can be loosely translated into English as:

I remember the first meeting we had at Granja do Torto [which is the presidential country residence – similar to Camp David, but less aristocratic], in which I understood absolutely nothing about what these people were discussing, and there was an enormous tension between those defending the adoption of Free Software by Brazil and those defending we should just do what we always did – remain the same, buying and paying for others’ intelligence. Thanks God, in our country, the decision to adopt Free Software prevailed.

He also said many things that pleased the audience. People raised a banner asking him to block Azeredo’s bill, and he said the bill was equivalent to censorship and that in Brazil it is “forbidden to forbid”.

After those speeches, he went to some other appointments, and the day 3 of FISL10 was over. I just wish that, if any President comes to FISL again, we’d be warned in advance, so we can prepare the map accordingly, and not have to run last-minute preparations. All in all, a great participation. I think all the hassle we had because of his coming were hugely compensated by what he said.

Internet e Anonimidade

Posted by – 17/05/2009

Pode parecer estranho, mas a Internet nunca foi projetada para ser uma rede anônima. O endereço de IP único identificaria definitivamente cada ponto conectado a rede. Se você já construiu uma rede local sabe exatamente do que estou falando… a maneira mais fácil de fazê-lo é atribuir um número de IP novo, único e imutável para cada ponto na rede, e era exatamente isso que era feito quando a Internet estava em sua infância.

Você pode ver um mapa de como a Internet, em sua presente encarnação, está dividida por áreas (e, claro, uma versão do XKCD). Prova de que o espaço de números na Internet foi, inicialmente, tratado como nós mesmos tratamos pequenas redes locais é a grande área no quadrante superior esquerdo desse mapa… nessa área vemos que universidades e companhias americanas daquela época detém enormes espaços de números, enquanto enormes regiões do globo detém frações desses espaços (sim… somando Xerox e IBM temos o mesmo espaço que toda a América Latina e Caribe!).

O que fez a Internet tornar-se uma rede quasi-anônima foi exatamente o seu enorme sucesso. Quando os blocos disponíveis começaram a ser mais rapidamente alocados coisas como “o fim do mundo” começaram a ser previstas. (Atualmente, acreditamos que em qualquer momento pelo fim de 2010 o espaço disponível para alocação vai simplesmente acabar) O que salvou a Internet (e continua a retardar o fim dos tempos) foi o NAT. O NAT permitiu a utilização de um número limitado de IPs “quentes” por um número ilimitado de IPs “frios”. Isso permitiu o crescimento da Internet comercial: artificialmente geramos um “cidadão de segundo nível” (detentor de um IP “frio”)… alguém dependente de um provedor de acesso (os detentores dos IPs “quentes”).

Com a pulverização dos provedores e dos usuários ficou extremamente difícil rastrear a utilização que alguém faz da Internet. Como subproduto disso temos uma anonimidade de facto. A história vai dizer se tenho razão ou não, mas acredito que esse subproduto é e está sendo extremamente importante para a manutenção dos direitos aqui fora, no mundo real. Coisas como o WikiLeaks, a Freenet e o Tor têm sido extremamente importantes, preservando a anonimidade das pessoas e denunciando abusos aos direitos de inúmeras pessoas (e até nações!).

É claro que isso incomoda muita gente… Principalmente muita gente poderosa. Pessoas que estão sujeitas a mais um tipo de escrutínio em suas ações. Pessoas que suprimiriam seus acusadores sem mais delongas, caso soubessem quem são. Além de, é claro, pessoas que não querem arcar com os custos que as demandas on-line exigem no quesito segurança. Não me surpreenderia nem um pouco se descobrissem que motivos como esse estejam por trás de Projetos de Lei como o do Senador Azeredo (e seus similares mundo afora).

Já escrevi antes, mas não custa repetir: os únicos prejudicados por tais “leis” são os que tentarem cumpri-la. Sim, eu e você… Pessoas comuns, que não têm nada a temer por navegar abertamente na Internet. Os verdadeiros criminosos, esses vão apenas colocar mais uma camada de proteção. Como disse David Wheeler: Qualquer problema em ciência da computação pode ser resolvido com mais uma camada de indireção… E isso é exatamente o que os criminosos farão! Nós, pessoas de bem, é que estaremos sujeitos ao escrutínio diário, ininterrupto e completamente sem motivo algum!

Pense bem: você estaria disposto a ter 100% dos seus passos registrados, 100% das vezes no mundo real? Por que você permitiria isso no mundo virtual? “Por que os malditos pedófilos precisam ser presos!!!” alguns responderão. Mas esses pedófilos não vão ser presos… simplesmente por que, facilmente, colocarão uma camada extra de proteção. No início será interessante, ver alguns desses doentes (sim, a pedofilia é uma doença, antes de ser um crime) sendo presos… Porque doentes são, geralmente descuidados. Mas prendê-los é o principal objetivo? Vou mudar a pergunta um pouquinho: prender o consumidor de drogas é o principal objetivo? (ou seria prender o traficante?). Sim… assim como os traficantes, os vendedores de pedofilia sairão impunes, simplesmente porque não são tão descuidados quanto os doentes!

Mesmo que ganhemos a batalha contra o projeto-de-lei do Sen. Azeredo, vejam que essa é apenas a primeira batalha. A menos que estejamos dispostos a manter uma vigilância constante para entrarmos nos próximos embates bem embasados (e, mais que isso, estejamos dispostos a jogar o mesmo jogo por vezes sujo que o adversário), perderemos a guerra. Sempre vai existir o próximo Sen. Azeredo… Mas existe uma solução em definitivo: refazermos a rede.

Sim… refazermos a rede. Hoje a Internet é “clientelista” e não o é sem motivo… Dependemos dos meios físicos, dos cabos trans-atlânticos, dos satélites, do cabo do provedor… Pagamos por isso, e somos submetidos a ser um “cidadão de segundo nível” na Internet. É assim porque, por mais que queiramos acreditar o contrário, no fundo a Internet tem “dono”. Mas não precisa mais ser assim…

A tecnologia evoluiu e podemos nos conectar sem fios, com o mínimo de investimento, comprando apenas uma antena (um Access Point)… De uma maneira quase milagrosa, essas antenas podem se enxergar umas às outras, e se comunicar entre si. Os mais “antenados” (no pun intended) já perceberam do que falo: redes Mesh. Existem protocolos de redes Mesh que mantém a anonimidade, e que podem crescer ad infinitum, como o Netsukuku (Sim, eu sei que o IPv6 é bastante grande, mas o infinito é bem maior 🙂 ), ou projetos bastante interessantes, como o Roofnet do MIT. Quando todos estivermos em uma gigante rede Mesh, pra que precisamos da Internet mesmo? E nesse momento, o que farão os detratores da liberdade?

Another small victory – don’t relax just yet

Posted by – 07/05/2009

Months (even years) of activism, over 140 thousand signatures, and finally another small victory: Brazilian Minister of Justice – Mr. Tarso Genro – sent a letter [pt-BR] stating that Sen. Azeredo’ s bill is dangerous, and that the Ministry is working in an alternative (among other things). We had already incited a public hearing that were very fruitful [pt-BR] and might have brought the Ministry to the issue.

But don’t relax just yet, folks! Right now, working in this “alternative”, are people with every kind of agenda… It’s safe to assume that some of them are from the same lobby that pushed Sen. Azeredo first version of the thing. So, yes, this was another victory, but nothing really changed… The bill is still approved by the Senate and still has to be reviewed by the Chamber-of-Deputies, and the alternative that will be presented by the Ministry is still under construction. What we accomplished is nothing more than making the Minister aware of the issue…

So, keep the pressure over your representatives, send messages to the Ministry, stating how you feel about the issue! Let’s show them what we want them to do… After all, that’s why we elected them, in the first place, isn’t it?

[Published also at Trezentos, in portuguese]

100-thousand and counting

Posted by – 06/08/2008

For those of you wondering how is the battle against the Brazilian Internet Surveillance Bill, I have to report we already got more than 100-thousand people to sign the petition. You can check the current count in the image on the right. I am updating it every 15 minutes, so you can even use its URL in another place (as are some people doing already).

The bill will be voted by the Chamber-of-Deputies any time now… We heard it would be on yesterday, but apparently it was not even enlisted for this week. This doesn’t mean much, since the Deputies can hold an “out-of-list” voting… we’ll be watching.

Meanwhile, I read an article by Sérgio Amadeu that summarizes some of our feeling about that bill. Are we in the Western World (allegedly freedom lovers) turning into control-freaks? A whole lot of people I know are not even offended by this bill! These are the same people that don’t think it’s weird that USA claimed the right to seize any storage device entering their borders, for any time they want, with no warranted privacy. Are we in a middle of a paradigm shift? Are we accepting less freedom? What would George Orwell think of that?

Maybe we got in a wormhole and ended up in 1984…