Culpado até prova em contrário 16

Aqueles que desistem da liberdade essencial para obter uma pequena e temporária segurança não merecem nem liberdade nem segurança (Benjamin Franklin).

Estou deprimido. Perturbadoramente deprimido. Sim, eu sei que estou com um brinquedinho novo e tal. Sim… eu sei q estou devendo o restante do relato, mas estou tão deprimido que nem consigo pensar nisso.

O motivo de tamanha depressão? Juscelino Kubitschek.

É… eu sei que o cara é um “herói nacional” e tal… Mas para mim ele cometeu um erro importantíssimo. Talvez o mais grave erro que um estadista de um país democrático pudesse cometer: Ele criou Brasília.

Peraí!!! Já posso antecipar a quantidade de flames que o parágrafo anterior vai gerar… Antes de me flamear, deixa eu explicar… (Antecipadamente, peço desculpa aos brasilienses que provavelmente são tão gente boa quanto o resto de nós, brasileiros).

Um país democrático precisa que suas instituições de poder estejam “a disposição” do povo, e não somente “a serviço”. Com isso quero dizer que eu, enquanto povo, devo ter o direito de olhar na cara de meu representante, eleito com o meu voto, e mandar ele praquele lugar, se assim desejar. Não digo impunemente (provavelmente enfrentaria alguma acusação de desacato ou algo assim), mas livre e democraticamente.

Não parece ser suficiente que mais de 126 mil pessoas tenham expressado por escrito seu descontentamento com o vigilantismo que paulatinamente cresce na pauta legislativa brasileira… Talvez se a capital federal ainda fosse no Rio de Janeiro (ou em algum lugar acessível pelo povo de outra forma que não o avião), uma boa parcela dessas 126 mil pessoas poderiam fazer um piquete na frente do Congresso Nacional para se expressar verbalmente: um gigante VÃO TOMAR NAQUELE LUGAR! talvez surtisse mais efeito.

Estou deprimido porque a proteção de vítimas de um crime hediondo (embora muitíssimo mais infreqüente do que tantos outros de que somos vítimas) seja usada para alimentar a paranóia geral, e para subverter a presunção de inocência a que todos têm direito constitucional. Sim… obviamente acho que a pedofilia é uma doença e um crime e, como tal, sou contra… mas também sou contra a destruição das liberdades civis. George Orwell já havia alertado o quão perigoso é a cedência das liberdades civis em nome do Estado; os últimos dois mandatos executivos estado-unidenses nos mostraram isso com riqueza de detalhes; a mais recente Olimpíada, da mesma forma. Agora, ao que parece, o Brasil também entra no rol dos exemplos negativos.

(Se Brasília não fosse tão longe, vocês acham que isso aconteceria? Talvez sim, o que desabonaria Juscelino… Mas agora nunca saberemos.)

Estou deprimido porque as “proteções” a que todos estaremos submetidos a partir de tal medida são tão facilmente ultrapassáveis que não precisa nem ser muito geek para fazê-lo. Estou mais deprimido porque, mais uma vez, atacamos um problema pelo lado, sem enfrentá-lo de frente; porque mais uma vez vamos atrás dos “peixes pequenos”... Quem realmente fatura com a pedofilia (esse sim, um criminoso e não um doente) vai apenas acrescentar mais uma camada de proteção (se é que já não o fez).

Estou deprimido porque não paro de imaginar qual será o próximo passo… Não paro de pensar que o cenário Orwelliano parece estar inexoravelmente no fim dessa estrada, ainda que os quilômetros finais talvez sejam apenas vistos pelos meus netos (será?).

Enfim, estou deprimido…

(que me desculpem os fãs de Juscelino… É que um cara deprimido culpa qualquer um…)

Versão somente áudio da Audiência Pública do PLC 89/2003 0

Como eu havia prometido em um comentário antigo (depois de devidamente “lembrado” pelo João Sérgio), acabo de fazer o upload da versão “somente áudio” para a Audiência Pública sobre o PLC 89/2003.

A idéia de uma versão “somente áudio” é economizar o download, evitando que um arquivo tão grande quanto os de vídeo seja transferido quando somente o áudio já é suficiente. Então ajustei meu objetivo em reduzir o arquivo original para 20% do seu tamanho na versão “somente áudio”... A seguir descrevo os passos que usei para obter essa versão:

1. Extraindo o arquivo original do Google Video.

Graças ao leitor Gilson Karas, obtive o endereço para o vídeo da audiência. Utilizei o plugin UnPlug do Firefox para extrair o arquivo em Flash Video – um arquivo de 365,9 Mb. Meu objetivo passou a ser 73-74 Mb.

2. Cortando o vídeo e deixando somente o áudio.

O arquivo resultante (chamarei de audiencia.flv) tinha um stream de vídeo em formato Flash e um stream de áudio em formato MP3. Usando o ffmpeg:


bash$ ffmpeg -i audiencia.flv -vn -acodec copy temp.mp3

Infelizmente isso resultou em um arquivo MP3 muito grande (129 Mb, ou 35% do original com vídeo)...

3. Recodificando o arquivo MP3

Resolvi aplicar alguma mágica e recodificar o arquivo para tentar reduzir os 15% que faltavam. Usei o LAME que está empacotado para o Debian. Aproveitei e coloquei algumas tags (lembre que no site da TV Câmara está explícito que a reprodução é autorizada mediante citação da mesma… que maneira melhor de citar a TV Câmara em um arquivo de áudio do que em suas tags?). Eis o comando resultante:


bash$ lame --vbr-old -V 4 -m m --tt "Audiencia Publica PLC 89/2003" --ta "TV Camara 13/Nov/2008" --ty "2008" --tl "PLC 89/2003" --tg 12 --tc "Originalmente no Google Video - http://video.google.com/videoplay?docid=7432623562478685874" -c --resample 16 --highpass 0.125 temp.mp3 audiencia.mp3

As opções que representam tags são auto-explicativas… A “mágica” está no “resample” (reduzi de 22.05 no original para 16), no filtro “passa-alta” setado em 0.125 e na utilização de VBR. Essas opções serviram para reduzir o tamanho do arquivo e, ao mesmo tempo, cortar os ruídos baixos (abaixo de 125 Hz) que nem seriam ouvidos de qualquer forma.

O arquivo resultante ainda manteve razoável qualidade e com apenas 79 Mb. Não atingi os 20% almejados, mas com 21,6%, encerrei a sessão ;-)

O resultado pode ser encontrado aqui.

Audiência Pública do projeto do Sen. Azeredo

Foi disponibilizado um vídeo com uma matéria da TV Câmara sobre a última audiência pública (em 13/11/2008) relativa ao projeto de lei do Senador Azeredo (infelizmente somente em formato Windows Media Video).

A repórter coloca a questão de maneira imparcial, ouvindo representantes dos dois lados da questão… no entanto não pude extrair o “tom geral” da audiência… Gostaria muito de ver um vídeo com a íntegra. Se alguém souber onde consigo, deixe nos comentários…

Update: 2008-12-10 18:37:40: Publiquei um passo a passo de como obtive a versão “somente áudio” do vídeo apontado pelo Gilson Karas nos comentários.

Mobilização Relâmpago contra o Projeto de Lei do Sen. Azeredo

Anda circulando em listas de discussão, no Twitter e em diversos blogs pela Internet uma Mobilização Relâmpago (AKA Flash Mob) contra o Projeto de Lei do Sen. Azeredo.

Ao lado você pode ver que a petição contra o projeto já atingiu 119 mil signatários (ainda mantenho atualizado a cada 15 minutos os bancos de dados que estou extraindo do endereço web).

No Rio e em São Paulo serão realizadas manifestações de 30 segundos respectivamente na Cinelândia em frente à Camara Municipal e no canteiro central da Av. Paulista, 900 na próxima sexta-feira as 18h.

Acredito que outras cidades devem se organizar para a mesma manifestação… Já estou aguardando os vídeos no YouTube!

Update 2008-11-17 10:45:10: Já estão aparecendo os primeiros registros. Veja esse do G1.

Update 2008-11-19 12:18:19: Mais fotos no blog do Sérgio Amadeu

Mais um viral... agora com o RMS

Os virais estão se multiplicando na web. O mais novo traz a foto do RMS, dizendo que “logo algo o surpreenderá” e a frase oculta “Yvan Eht Nioj” (Junte-se à marinha escrito em inglês e ao contrário)...

O pior é eu ajudar a propagar esse viral… ;-)

Subvertendo a ordem: instalando Flash sem autorização

Por agora todos já devem saber que na estação de trabalho do hospital só disponho de (argh!) Windows XP. Sim… eu sei… é uma m###a. Mas fazer o quê? Lá eu sou médico, lembram? É verdade que tudo de importante que eu faço de lá, faço remotamente, com meu velho e bom servidor Debian. (Tudo de importante que não diga respeito ao hospital, claro…).

Tudo começou quando resolveram (as forças ocultas, sabe?) substituir nossas estações por novas. A justificativa: atualização. Certamente não de software (continua o (argh!) Windows XP), mas aparentemente o hardware andava muito lento (hua! hua! hua! hua! hua!), aí resolveram trocar as máquinas. As novas estações vieram com tudo bloqueado… tivemos que chamar a Engenharia Clínica (nome chique para “Suporte de Informática”) para instalar o Firefox, já que um dos programas que utilizamos necessita dele. Lamentável…

O problema: não consigo mais ver as tirinhas do Garfield – uma atividade diária indispensável para a manutenção do bom humor – já que não foi instalado o plugin Flash. E agora? Chamar a Engenharia Clínica de novo? E justificar com o que? Sei lá, mas “manutenção do bom humor” não me pareceu uma boa justificativa para constar em um documento interno…

(Antes que você pergunte: sim, tentei instalar pelos meios “normais”; o erro foi – como esperado – que não possuía “privilégios administrativos suficientes”. Bah…)

Foi aí que eu resolvi racionalizar: Ora! O Firefox consegue gravar meus bookmarks (AKA Favoritos); se seguir a mesma lógica do Firefox no GNU/Linux, deve ter um diretório (AKA pasta no (argh!) Windows XP) onde eu posso colocar os meus plugins pessoais. A partir daí foi fácil… Eis a receita de bolo:

  1. Faça o download da versão .XPI do plugin Flash Player, que pode ser encontrado aqui. Um arquivo .XPI nada mais é do que um arquivo .ZIP (Dica: renomeie o arquivo para que o WinZIP – ou similar – o reconheça).
  2. Exploda o .ZIP em algum lugar… Estamos interessados nos arquivos NPSWF32.dll e flashplayer.xpt.
  3. Vá para a pasta %APPDATA%\Mozilla\. O %APPDATA% é uma variável que aponta para uma pasta onde são gravados os dados de aplicações (como os bookmarks).
  4. Se não existir (provavelmente não exista), crie uma nova pasta chamada “Plugins” (sem as aspas).
  5. Copie os arquivos NPSWF32.dll e flashplayer.xpt para lá.
  6. Reinicie o Firefox e voilà.

Veja bem… isso funcionou para mim. Mais provavelmente por que o (argh!) Windows XP é o inferno administrativo que é do que por alguma outra razão… Me imagino no lugar da Engenharia Clínica para administrar essa mixórdia…

Pelo menos agora posso ler as tirinhas do Garfield como de costume ;-)

Referência Rápida de Interface: Biblioteca readline

Pouca gente sabe, mas um boa parte dos programas de linha de commando no GNU/Linux são compilados com uma biblioteca unificada, que serve tanto para a edição de linhas de entrada, quanto para simplificar a API para os programadores. Essa biblioteca chama-se NCurses readline.

“OK, mas por que isso é importante?” deve ser a pergunta que está na cabeça do leitor nesse momento. Isso é importante porque a NCurses readline tem uma interface com o usuário bem simples, e muito prática. Quantas vezes você está na linha de comando e descobre que errou algo no meio do caminho e decide apagar a linha? O que você faz? Pressiona Backspace e fica segurando até a linha desaparecer? Ora, muito mais prático teclar Control-U. Esse atalho apaga a linha inteira muito mais rapidamente.

Bem, talvez apagar uma linha no prompt do shell não seja um exemplo de poder, mas o mesmo acontece com senhas… Você está digitando uma senha quando percebe que no meio do caminho errou algo… como o programa não mostra a senha sendo digitada, como você apaga ela e digita de novo aproveitando o mesmo prompt? Isso mesmo: Control-U!

Há uma série de outros atalhos poderosos relacionados a biblioteca NCurses readline, e, uma vez que você tenha decorado uns poucos, a agilidade na linha de comando e em programas relacionados acaba multiplicada. Esses atalhos são padronizados há tanto tempo que mesmo programas não compilados com a NCurses readline acabam implementando os mesmos!!! Pensando nisso, aqui vai uma referência rápida dos que mais utilizo:

  • Control-U: Apaga os caracteres do ponto onde está o cursor até o início da linha.
  • Control-K: Apaga os caracteres do ponto onde está o cursor até o fim da linha.
  • Control-A: Move o cursor para o início da linha.
  • Control-E: Move o cursor para o fim da linha.
  • Control-B: Move o cursor um caractere para trás. Extremamente útil quando está nesses terminais que não têm setinhas ou que não as implementam com os códigos corretos.
  • Control-F: Move o cursor um caractere para frente.
  • Control-D: Deleta o caractere sob o cursor (igual a teclar Del em um sistema DOS).
  • Control-H: Deleta o caractere anterior ao cursor (igual a teclar Backspace em um sistema DOS). Esse tenho usado muito ultimamente: minha tecla Backspace está com problemas…
  • Control-J: Termina a janela (ou, no caso de uma linha, termina a linha). No caso de um terminal, é como dar um ENTER.
  • Control-O: Insere uma nova linha na posição do cursor. Também, no caso de um terminal, é como dar um ENTER.
  • Control-L: Faz um refresh na tela. Muito útil quando você está um Terminal gráfico e a saída do programa anterior te deixa com um prompt no meio de um monte de caracteres.
  • Control-N: Move o cursor uma linha abaixo.
  • Control-P: Move o cursor uma linha acima.

Existem outros atalhos, mas esses são de longe os mais úteis. Eu gosto muito da linha de comando, e costumo dizer que uso o X apenas como um multiplexador de terminais (na realidade, algumas vezes evito o X completamente e uso o GNU Screen – mas isso é outra história). Se você também gosta da linha de comando mas ainda não conhecia os atalhos, espero ter contribuido…

Para os novatos ou os que não apreciam a interface em linha de comando, deixo um link de um artigo interessante: The Command Line: The Best Newbie Interface?.

Uma última dica: Como eu disse antes, vários programas implementam esses atalhos. Para o problema da digitação da senha que referi acima, se você estiver no GDM, o Control-U vai funcionar igualzinho a linha de comando! ;-)

Update 2008-10-21 10:20:00: Como apontado pelo comentário do bart9h, é a biblioteca readline e não a NCurses que faz isso. Obrigado, bart9h.

Jogo em flash mais viciante!

Há uma semana que o pessoal do trabalho tem jogado Bloody Day part1, e tem sido realmente uma febre. Por enquanto o highest score (entre nós) é meu, com 4390 pontos, mas tenho certeza que será batido em breve…

Cuidado… é realmente viciante. Você foi prevenido.

Bem-Vindo LHC

Eles finalmente ligaram o LHC! A BBC está noticiando que o primeiro “raio” de hadrons completou o circuito às 5:30 BRT (8:30 UTC). Eu, com certeza, espero que eles não terminem por criar um Buraco Negro que cresça indefinidamente com ele ;-) (embora, criar um desses em Brasília não pareça uma má idéia).

Nostalgia

Voltando do Consegi 2008 com Alexandre Oliva no mesmo shuttle para o aeroporto, tivemos um momento de nostalgia, falando sobre os anos de início da Internet no Brasil (1992-1995), e sobre tecnologias e curiosidades que marcaram aquela época. Duas dessas ainda encontramos hoje, em plena atividade (embora com crescimento zero ;-)): servidores Gopher e máquinas de Coca-Cola online.

Bons tempos aqueles quando homens eram homens, e escreviam seus próprios drivers de dispositivo :-)

Oficina no Consegi 2008

Ontem estive em Brasília para uma oficina de streaming de vídeo no Consegi 2008. A oficina foi excelente, com boa participação apesar de termos uma sala pequena e computadores não preparados.

A oficina foi ministrada como uma palestra, com introdução de Karinna Bueno, apresentação básica sobre Streaming a cargo do VJ Pixel, e estudo de dois casos, o da TVSL, a meu cargo e o da transmissão de um evento da ONU (utilizando software não-livre em parte), a cargo do Fabrício Tamusiunas do NIC.br.

Depois de um breve intervalo, comecei com alguns demos (uma vez que os computadores não haviam sido preparados, deixei de lado o hands-on) utilizando a versão 0.5.2 do Flumotion. (Essa é uma versão de desenvolvimento, o que trouxe alguns problemas, mas nada que não fosse superado facilmente… Agora tenho de tentar reproduzir o que ocorreu para ver se encontro o problema… mas isso é outra história…) Infelizmente o tempo agiu contra nós e não pude chegar nos demos mais interessantes, que são aqueles em que envolvo programação em Ruby com pipelines GStreamer… Vou ver se gravo um video desse demo para postar aqui.

Enquanto isso, a parte mais “formal” com a apresentação do caso da TVSL, pode ser encontrada aqui. Não há grandes diferenças em relação à palestra do Debian Day, uma vez que o caso é o mesmo… mas vale a pena dar uma olhadinha.

A todos que nos agüentaram quase a tarde inteira lá no Consegi, muito obrigado. Se tiverem dúvidas, perguntas, podem postar aqui mesmo.

Repensando: ainda querem armazenar dados de internautas?

Teríamos mais privacidade se todos fossem iletrados, mas não se pode realmente chamar isso de privacidade. Isso é ignorância. (Bruce Sterling)

Essa semana todos tivemos o gostinho de saber como é perigoso termos dados de terceiros guardados. A ANATEL expôs dados particulares para quem quisesse ver…

Quem guarda dados tem de saber que não pode expô-los assim… Essa é uma falha da ANATEL, não tenha dúvida. Agora, imaginem isso transversalmente, imposto a todos os provedores do Brasil... Vocês confiam no seu provedor? Vocês acham que por usar um provedor grande, apoiado por vultuoso capital, vocês estão imunes? Lamento informar, mas o risco só se multiplica. O cracker que quiser roubar esses dados vai mirar precisamente nos provedores grandes, onde o “prêmio” é maior.

Imaginem mais: uma vez aberta a possibilidade por força de Lei, imaginem o que vão exigir que seja guardado depois. No Brasil as leis sofrem regulamentação que, apesar de não poder ampliar os poderes da lei, podem discriminá-los de maneira mais completa para melhor cumprir a “intenção do legislador”...

O Executivo poderá regulamentá-la [a Lei] sempre que existir a necessidade de concretizar a intenção do legislador. (CARRAZA)

Então, quando a “intenção do legislador” (no caso do Projeto de Lei Azeredo) não puder ser cumprida apenas com as informações armazenadas pelo provedor, outras informações poderão ser requeridas “via regulamento”.

E quando essas informações estiverem fresquinhas, guardadas nos cofres dos provedores de todo o Brasil, quanto passarão a valer esses cofres? Não é a ameaça de multa que vai protegê-los! Isso com certeza.

Tenho recebido alguns emails de hackers amigos meus me perguntando porque me preocupo tanto, já que para quem tem apenas pequeno conhecimento técnico essa lei é completamente inútil (sempre podemos colocar um Tor, ou qualquer outro mecanismo de ocultação de pistas, no caminho)... A resposta é sempre a mesma: Por que não abro mão de nenhum direito... nem que seja apenas uma mínima parte de algum direito… É como dizia o poeta:

Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E [porque não dissemos nada,] já não podemos dizer nada. (Eduardo Alves da Costa)

Século XXI, Internet e ferramentas Server-Side… Já temos pouca privacidade. Se abrimos mão agora do mínimo que ainda nos resta, o que virá depois?

[Em tempo definiram os relatores desse Projeto de Lei. Por favor, perca por próximos cinco minutos da sua vida e mande um email para qualquer um deles (ou os três, se preferir).]

Roteiro do Cibercrime

Gostei da brincadeira do Alexandre Oliva e resolvi criar o meu próprio roteiro de uma situação de violação do Projeto de Lei Azeredo, só que dessa vez falando a respeito do artigo que considero mais problemático no famigerado projeto, o 285-B:

Obter ou transferir, sem autorização ou em desconformidade com autorização do legítimo titular da rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, protegidos por expressa restrição de acesso, dado ou informação neles disponível

A estorinha é entre Alice e Bob, ambos repórteres de um grande jornal da capital:

Alice: Olha só o que achei no site do Senador Edward Comstock… (aponta para Bob a tela de seu laptop). isto é um escândalo! Primeira página a caminho…

Bob: Cuidado… você leu as restrições de acesso?

A: Mas que restrições de acesso? Está público, na Internet.

B: Sim, mas você não pode sair por aí copiando coisas públicas dos sites dos outros sem ler as restrições de acesso…

A: Que bobagem… e onde estão as tais “restrições”?

B: Olha lá… no rodapé da página…

A: Hm… “Restrição de Acesso: O conteúdo desse site pode ser livremente citado desde que em um contexto favorável ao autor. Citá-lo de outra forma constitui violação desta restrição conforme o artigo 285-B da Lei nº 1.847.033/2008 (Lei do Cibercrime).”. Que que isso quer dizer?

B: Que você só pode publicar esse escândalo se esse contexto for favorável ao autor… Adeus primeira página.

A: Eu vou citar de qualquer forma. Não seria uma boa repórter se deixasse passar uma primeira página dessas!

B: Olha….

(Transição com uma tela escura escrito “Algum tempo depois…” e uma música de suspense.)

(Doze policiais entram na redação do jornal com escopetas em punho e cercam a mesa de Alice.)

Policial: Tenho um mandado de prisão temporária para a Srta. Alice Bliss Foote, por crime baseado na Lei nº 1.847.033/2008. Onde ela está?

Bob: Não sei, não veio trabalhar hoje, e não avisou a ninguém.

Policial: Revistem a redação. Os informantes disseram que ela está aqui em algum lugar.

(Bob cochichando para outro dos colegas da redação): Ela fugiu hoje… Disseram que viriam buscá-la… Deve estar a meio caminho do Uruguai a essa altura…

(colega de redação cochichando para Bob): Graças a Deus.

(Câmera vai se distanciando, vozes desencontradas na redação continuam a falar e os policiais continuam revirando tudo).

(Fade Out com um letreiro: “O Grande Irmão está observando”).

Petição, protestos e mais programação

Parece que um pessoal vai aproveitar que o Senador Azeredo estará em Porto Alegre para entregar-lhe uma versão impressa da petição que está rolando online. Na dificuldade de encontrar os autores da petição para pedir-lhes uma cópia do banco de dados (somente os autores têm acesso aos dados brutos), me perguntarm se eu conseguiria uma solução…

Bem, eu respondi o que eu sempre respondo… “Está na Internet? Publicamente? Então é possível.”. Aproveitei alguns minutos ociosos e rodei um script para pegar as informações (obviamente em Ruby). O bichinho ficou tão bom que resolvi rodá-lo a cada 30 minutos, mantendo um banco de dados “paralelo” do que está online… A saída dele deixo disponível aqui… Vai que outras pessoas precisam também:

veto2008.csv.gz – Arquivo compactado CSV com os dados da petição na seguinte ordem: número da assinatura, nome, cidade/estado, e comentario.

veto2008.marshal.gz – Para os programadores Ruby, este é um arquivo compactado com um Hash serializado no seguinte formato:

hash[numero_da_assinatura] = { :nome => "nome_do_individuo",
                               :cidade => "cidade_e_estado",
                               :comentario => "comentario" }

# Para desserializar (precisa descompactar antes...)
hash = Marshal.load(File.read('veto2008.marshal'))

Palestra no Debian Day

Hoje, aniversário do Debian, estamos de novo fazendo o Debian Day para comemorá-lo. Em Porto Alegre ele está acontecendo no Serpro. Em alguns minutos estarei fazendo uma palestra sobre Streaming com Theora, que será transmitida ao vivo pela TV Software Livre.

Devo acrescentar o arquivo da palestra aqui logo depois de ministrá-la, e deixarei aberto os comentários caso alguma dúvida não seja resolvida no ato.

Update 2008-08-17 00:50:00: Estou anexando o arquivo da palestra. Quanto à pipeline que estávamos tentando fazer funcionar… esqueci de colocar os queues eis ela pronta:


bash$ gst-launch-0.10 videotestsrc ! queue ! tee name=t ! fakesink t. ! queue ! ximagesink

Update 2008-08-27 18:36:00: O pessoal publicou o torrent do video da palestra. Mais informações no site do Debian-RS.