O Movimento Software Livre Morreu. Longa Vida ao Movimento Software Livre!

Posted by – 09/06/2014

Assistindo ao debate “Morreu o Movimento Software Livre no Brasil?”, do FISL15, resolvi compilar diversos pontos que foram marginalmente abordados no debate e que flutuam na minha cabeça há algum tempo, merecendo um aprofundamento nesse contexto.

Movimento Software Livre e Ideologias Alienígenas

O Movimento Software Livre é uma expressão, no âmbito técnico, do anseio natural de liberdade do ser humano. Foi o precursor de diversos movimentos de cultura livre que, de certa forma são mais antigos ainda que o próprio Software Livre, mas que até então não possuiam ferramentas coerentes para se desenvolver. No entanto, como todo movimento, é habitado por pessoas que têm aspirações diferentes e muitas vezes essas pessoas confundem suas próprias e particulares aspirações com as do movimento, levando a uma “identificação ideológica cruzada”, que acaba associando ao movimento Software Livre diversas outras ideologias de maneira até equivocada.

Embora o próprio Stallman não seja um comunista (expresso por suas ações ao longo da vida, mas literalmente também escrito por ele mesmo), o Movimento Software Livre acabou, em diversos lugares – inclusive o Brasil – sendo capturado pelo espectro da esquerda política. E isso só fez mal ao Software Livre. (Seria igualmente ruim se fosse capturado pela direita política, veja bem.) Isso fica amplamente evidente quando fazemos o contraponto entre Open Source e Free Software e identificamos isso como um embate entre capitalismo e comunismo, como foi feito no debate em questão. Nenhuma discussão poderia ser menos produtiva e mais equivocada do que essa! Especialmente porque não existe nenhuma incompatibilidade entre as 4 liberdades que definem um Software Livre e os 10 pontos da definição de Software de Código Aberto.

Exatamente. Para que fique bastante claro vou colocar em um parágrafo separado: não existe nenhuma incompatibilidade entre as 4 liberdades que definem um Software Livre e os 10 pontos da definição de Software de Código Aberto. Portanto, não há um conflito conceitual entre Software Livre e Software de Código Aberto, muito menos um conflito semelhante ao embate capitalismo versus comunismo.

A Catedral e o Bazar

Então, acredito que a percepção de que o Movimento Software Livre no Brasil esteja morrendo está associada a perda de tempo imposta por um debate entre capitalismo e comunismo enquanto o próprio Software Livre não tem identificação com nenhuma dessas ideologias da maneira como elas são entendidas atualmente. Se tivermos que caracterizar o Software Livre ele é muito mais libertário (e portanto capitalista clássico ou paleocapitalista), com seu estilo Bazar e com sua organização emergente de-baixo-para-cima do que comunista, com seu estilo Catedral e sua organização positivista de-cima-para-baixo.

Uma pequena digressão oportuna mas que preciso incluir nesse texto é que, no arcabouço legal atual, o Software Livre é um Software Proprietário. Ele é propriedade de seu autor, que nos autoriza o seu uso de acordo com uma licença. Assim, não existe um antagonismo entre Software Livre e Software Proprietário, como uma debatedora do público (que infelizmente não se identificou) parece não entender. O antagonismo é entre Software Livre (com as 4 liberdades) e Software não-Livre (sem alguma das 4 liberdades). O antagonista do Software Proprietário é o Software de Domínio Público, cujo autor abre mão da propriedade de forma explícita. Observe, no entanto, que se tornou corriqueiro tratar por “Software Proprietário” o Software não-Livre, provavelmente levando a confusão da debatedora. E é importante ressaltar essa confusão por que o termo “Propriedade” sempre remete ao contraproducente debate comunismo versus capitalismo que referi acima.

Nesse contexto, como acertadamente colocou o Frederico Guimarães no debate: a evolução natural dessas “espécies” de Software (Livre e não-Livre) vai levar a um equilíbrio ecológico na existência entre elas e esse panorama misto é o que podemos esperar. Enquanto proponentes do Software Livre temos de compreender que nosso papel é “hackear” o status quo de forma a fazer esse equilíbrio pender para o nosso lado. Por exemplo, não devemos atribuir mais importância à GPL do que ela de fato tem: hackear o sistema de direito autoral para fazê-lo trabalhar em prol do Software Livre. A GPL é um hack, não um fim em si mesma. O que gostaríamos de ver é a abolição desses sistemas artificiais que transformam bens intangíveis em tangíveis. Enquanto não conseguimos isso, vamos usando a GPL. Mas não percamos de vista o objetivo: a liberdade. Não dá para sacrificar a liberdade em prol do “bem comum”. Especialmente quando “bem comum” assume a forma que o interlocutor quiser.

Portanto, todo o debate sobre a utilização do Facebook e do Gmail e de qualquer outro produto “dos malvados capitalistas” serve apenas como um espantalho. O que um ativista da liberdade deveria estar fazendo é criar maneiras para que, mesmo que o Gmail seja utilizado, os seus usuários tenham a possibilidade de criptografar a mensagem e, portanto, escondê-la do Google (e da NSA e de quem quer que seja). Uma solução tão simples quanto esta também para a questão do Facebook não está no horizonte (ou talvez o Diaspora seja uma solução), mas deveria estar sendo perseguida por esses ativistas. Enquanto isso, como todos os debatedores disseram, simplesmente não utilize o Facebook se as consequências de sua utilização o incomodam – como também é o meu caso.

Só por Prazer

A segunda coisa que quero considerar é que, no fim das contas, a questão é simples: as pessoas vão fazer seja o que for que fizerem que, na sua percepção temporal individual, as levam de um estado de menor satisfação para um de maior satisfação. Enquanto hackear era algo legal e prazeroso, as pessoas o estavam fazendo simplesmente porque as levavam a um estado de maior satisfação. Quando isso deixou de ser prazeroso (e acredito que isso ocorra em grande parte porque os desenvolvedores passaram a ter de se embrenhar em debates infrutíferos enquanto tudo o que queriam era escrever código), as pessoas resolveram fazer outras coisas. Da mesma forma, pode voltar a ser prazeroso para aquele indivíduo em particular. Não é nenhuma surpresa que o livro que conta os bastidores do surgimento do Linux tenha o título de “Só por prazer” (ou “Just for fun” em seu original em inglês).

Sumarizar esses grandes movimentos da ação humana em uma dicotomia entre Open Source e Free Software é um falso dilema, especialmente se essa dicotomia é utilizada para explicar a suposta morte do Movimento Software Livre. O ponto de atrito entre Open Source e Free Software é um de valores: para o primeiro, um Software não-Livre é uma solução sub-ótima; para o segundo, um problema social (como pode ser lido aqui). Do ponto de vista prático, eles são aliados e é isso que importa, porque o inimigo é outro, está na outra trincheira e só ganha com esse falso dilema.

Facebook, esse vilão execrável

A terceira coisa que quero chamar atenção é um ponto levantado pelo Frederico Guimarães na seção de respostas referindo-se a uma palestra do Alexandre Oliva sobre o uso de drogas: o entendimento de Frederico e de Alexandre é que o problema das drogas não é resolvido atacando o usuário, mas que o problema são as empresas que lucram com isso (aqui provavelmente se referiu aos traficantes) e que essas sim devem ser atacadas.

No entanto, por mais impopular que isso possa parecer, não existe fornecimento do que quer que seja para o qual não exista demanda. Então, sendo puramente pragmático, o problema é sim o usuário (no caso de drogas). Caso não houvesse demanda, não haveria oferta. No caso das drogas, todo o tipo de consideração sobre o caráter viciante da substância pode ser feita, mas nada disso é desculpa para tirar do sujeito usuário de drogas (e usuário do Facebook, que era o contexto da afirmação do Frederico) a responsabilidade por usá-la. Só existe Facebook porque as pessoas demandam a sua existência. Esse processo de culpabilização do produtor (sim, o Facebook produz algo que as pessoas querem consumir) é uma confusão entre causa e consequência, com a qual não compactuo.

Acho que isso merece uma analogia para que fique bem claro. Da mesma forma como o Facebook é “viciante”, podemos dizer que a Internet é “viciante” (como qualquer mãe com um filho pré-adolescente pode atestar), ou que (em seu glorioso tempo) as BBSs eram viciantes (como a minha mãe pode atestar). Isso era verdade antes do Facebook! Se a culpa desse vício passa do viciado (no caso o adolescente) para o produtor (no caso o provedor de Internet), onde isso vai parar? Uma “guerra ao Facebook” é tão legítima quanto uma “guerra à Internet” (ou uma “guerra às drogas”). Toda a situação ética da utilização dos dados dos seus clientes da maneira como o Facebook faz pode ser considerada, mas ninguém é obrigado a usar o Facebook. O mesmo vale para a Internet (e para as drogas).

Ao vencedor, as batatas

A quarta coisa que gostaria de considerar é se essa percebida morte do Movimento Software Livre não é simplesmente um reflexo do momento em que nos encontramos. Uma enorme variedade de dispositivos roda Software Livre. O Desktop, que sempre foi a “fronteira final”, está lentamente morrendo, ficando cada vez mais irrelevante. As tecnologias que emergiram executam Software Livre em um nível sem precedentes. Mais do que isso, os programas que rodam sobre essa plataforma são atualmente desenvolvidos em linguagens livres, com compiladores livres e muitas pessoas (em uma proporção muito maior do que no passado) publicam seu código sob licenças livres. Bom, falta muito para um mundo totalmente livre… sem dúvida. Eu concordo com um dos debatedores do público (Marcel, de Natal, um rapaz que trabalha com imagens médicas) quando ele diz que a coisa como um todo está melhor e que sempre existirão novas batalhas. Mais ainda: não pode restar dúvida de que esse é historicamente o melhor momento que vivemos. E de certa forma parece que tem gente achando que isso é uma derrota!

Acho que talvez sim, o movimento como o conhecemos tenha de fato morrido, mas simplesmente como resultado de termos atingido nosso objetivo (ou o mais próximo disso). Muita coisa precisa ser feita ainda, mas nada tão urgente que necessite de uma “evangelização” como nos primeiros anos. O que precisa ser feito, no entanto, é compreender esse momento e pensar no “E agora?”.

Por fim, me alio os que querem uma disseminação maciça do Software Livre, e não àqueles que gostariam que o Software Livre ficasse uma “coisa de geek“. E penso dessa forma por perceber que o Software Livre é uma oportunidade de recuperar aquilo que o Software não-Livre nos tirou: a possibilidade de entender como um computador funciona e se comunicar com ele. E daí que existam pessoas que não valorizam a filosofia por trás do que está na máquina? Apenas ao utilizar Software Livre ele já contribuiu, tornando-se mais um para formar a massa crítica que ajuda a disseminá-lo. E quem sabe aonde isso vai levar?

Fork me on GitHub

34 Comments on O Movimento Software Livre Morreu. Longa Vida ao Movimento Software Livre!

  1. corvolino says:

    Tenho algumas dúvidas, não são afirmações ou verdades absolutas..

    Eu realmente não entendo esse mania que algumas pessoas que falam de liberdade que querem impor o seu modo de pensar. Outra coisa é falar de forma ofensiva a pessoas que usam Windows e OS X, qual a lógica disso?

    Outra mania que costumo ver em comentários, postagens e palestras é que toda a pessoa que utiliza GNU/Linux tem OBRIGAÇÃO de ajudar algum projeto de software livre, a pessoa não pode simplesmente usar por usar tem que fazer algo senão é preguiçoso e coisas do gênero. É por essas e outras que eu não me intitulo nada, prefiro ficar no OSI porque tenho receio de encontrar gente idiota que pensa ‘você não é roqueiro? está escutando outro tipo de música. traidor!’

    Eu realmente não entendo as ofensas, chamar os outros de burros, preguiçosos sem nem saber o motivo da pessoa está usando um serviço proprietário. Eu realmente dou valor aos que fizeram e que fazem pelo movimento software livre, esses não estão escrevendo em blogs, estão fazendo códigos. MUITO OBRIGADO pela sua contribuição.

  2. Gustavo Melo says:

    Estava procurando um texto para meus alunos no Google me deparo com o teu … quanto tempo tchê

  3. Frederico Camara says:

    Muito bom texto, mas uma coisa me intriga logo de cara. Existe sim uma diferença entre as 4 liberdades do Software Livre e as 10 do Código aberto, reproduzo-as abaixo:

    – Liberdade 3 (do Software Livre): “A liberdade de modificar o programa e distribuir estas modificações, de modo que toda a comunidade se beneficie.”

    – Integridade do autor do código fonte (do Código Aberto): “A licença pode restringir o código fonte de ser distribuído em uma forma modificada apenas se a licença permitir a distribuição de arquivos patch (de atualização) com o código fonte para o propósito de modificar o programa no momento de sua construção. A licença deve explicitamente permitir a distribuição do programa construído a partir do código fonte modificado. Contudo, a licença pode ainda requerer que programas derivados tenham um nome ou número de versão diferentes do programa original.”

    Ok, quase não dá para perceber a diferença. E pelas conversas que tive com o Richard Stallman, é a única diferença prática.

    Então vou repetir também, explicando desta vez: só é considerado Software Livre um software que permita a distribuição do código fonte modificado, enquanto que o Código Aberto pode restringir a distribuição do código fonte modificado em certas circunstâncias.

    Isto é uma incompatibilidade.

    Na prática, o Código Aberto pode dificultar a criação de uma comunidade para desenvolvimento de um fork. Nesta comunidade, todas as modificações teriam que ser lançadas em formato de patch. E vai ficando mais difícil, quanto mais desenvolvimento for investido no fork, patches cada vez maiores. Reaproveitar um pedaço de código de um projeto Código Aberto assim, no “meu projeto”, é praticamente inviável, logo de cara.

    Então eu não consigo concordar com o que você postou e repetiu. Mesmo sabendo que a grande maioria dos Softwares Livres podem ser considerados Código Aberto também, sei que importantes softwares Código Aberto, desenvolvidos por empresas, não são Softwares Livres. São verdadeiras bombas relógio, esperando a necessidade da comunidade de mantê-los além do interesse dos criadores originais.

    • spectra says:

      Frederico, você pode interpretar dessa forma e, aparentemente, o RMS também. No entanto não há nenhuma incompatibilidade entre a liberdade 3 e o ponto 4. Em nenhum momento a pessoa que modificou o código foi proibida de redistribuir sua modificação. É verdade que autores podem usar o ponto 4 para dificultar a distribuição do código modificado, exigindo que, caso seja feita, que seja no formato de patches ou com o nome modificado, mas de forma alguma isso torna o ponto 4 incompatível com a liberdade 3. Além disso, é uma providência importante caso o autor tenha alguma forma de accountability, ou que tenha a sua imagem prejudicada caso a modificação altere o comportamento do programa.

      A sua conclusão (e aparentemente a do RMS também) não se sustenta:

      “…só é considerado Software Livre um software que permita a distribuição do código fonte modificado, enquanto que o Código Aberto pode restringir a distribuição do código fonte modificado em certas circunstâncias”

      Isso não é verdade. Um software licenciado em termos que apliquem o ponto 4, ou seja, que exija que eventuais modificações ao código sejam feitas e redistribuidas no formato de patches, ou que exija a modificação do nome do software não ofende a liberdade 3: todas as pessoas continuam se beneficiando daquele código e de suas modificações, continuam podendo modificá-lo e redistribuí-lo. O autor apenas aplica providências para que fique bem claro o que é código original e o que é modificado.

      Na prática, o Código Aberto pode dificultar a criação de uma comunidade para desenvolvimento de um fork.

      Também não é verdade. O ponto 4 é duramente criticado exatamente pelo contrário, por incentivar o fork.

      Reaproveitar um pedaço de código de um projeto Código Aberto assim, no “meu projeto”, é praticamente inviável, logo de cara.

      Não, não é. Você pode reaproveitar pedaços inteiros ou o código todo. De qualquer forma, qualquer pessoa atualmente trabalhando com projetos de engenharia de software já vai estar usando algum sistema de patches (ou você acha que controle de versão é muito diferente disso?). Se você estiver relançando um software com modificações, vai ter de deixar claro o que é patch e o que feito do upstream. Se você estiver usando partes de um software assim licenciado para outro tipo de projeto que absolutamente nada tem a ver com o original, não precisa fazer nada, apenas indique no código-fonte de onde veio aquela parte e esclareça no licenciamento que aquela parte não é sua e qual a sua licença para usá-lo (como se faz com qualquer outro software livre).

      Você pode estar confundindo incompatibilidade com a GPL com incompatibilidade com as 4 liberdades. Se esse for o caso, está errado. Enquanto uma licença que tenha uma “patch-clause” não é compatível com a GPL, ela ainda assim pode ser compatível com as 4 liberdades e, dessa forma, chamada de Software Livre. Aliás, “patch clauses” são cada vez mais raras e, no projeto Debian, debatemos as suas implicações muito tempo. Ademais, isso majoritariamente é um non-issue, uma vez que a maioria do código que é protegido por uma “patch clause”, é licenciado de forma dual (caso da Qt) ou acabou sendo posta em domínio público (caso do Qmail). Ou você tem algum outro exemplo relevante?

  4. Leonardo Reis says:

    Rapaz, parabens!

    Nao sei se minha opniao estah enviesada por concordar com cada palavra e pontuacao que estao no texto acima, mas vou expressa-la mesmo assim, segue:

    Raramente vi, em qualquer idioma que consigo ler (ou para os quais tenha utilizado um tradutor) uma redacao sobre o ecossistema FOSS e principalmente suas ideologias, configuracoes e posicoes sociopolitico-economicas, enfim, filosoficas, uma visao tao clara, correta, balizada, centrada e cirurgicamente precisa de cada ator envolvido nesta trama.

    Complemento dizendo que este texto nao eh, senao, uma analise tomograficamente precisa de um panorama historico, que mostra o tao positivo quadro que este proficuo movimento construio em todos estes anos.

    Novamente parabens, por ter uma visao tao clara e tambem por conseguir transcreve-la de modo tao explicitamente elucidativo e belo.

    Nao posso concluir sem ressaltar que escrevo estas palavras diretamento da minha workstation, gamestation, videostation, enfim *station, que segue, como as que a antecederam, powered by debian, utilizando este browser que é firefox em pele de iceweasel, aberto no amigavel K (como os intimos podem chamar o KDE).

    Obrigado por esta prazerosa leitura, uma verdadeira epopeia sobre a liberdade do software e de seus utilizadores. Longa vida ao software livre!

  5. Joaquim says:

    Têm uma geração inteira de acomodados e preguiçosos, que querem tudo na boca, dado de mão beijada, e que transferem para os outros a responsabilidade de fazer a mudança.

    Só sei de uma coisa:

    –Se continuarem sendo egoístas e achando que ajudar o movimento de software livre é somente se sacrificar, é trabalhar de graça, é abrir mão das facilidades, é abrir mão dos amigos(rede sociais), o movimento e GNU irão morrer mesmo.

    Faltam pessoas com a mesma consciência das que começaram o projeto GNU. Pessoas que não viam o trabalho como sacrifício, que contribuíam com o projeto porque eles próprios eram os mais beneficiados… Eles que iriam usufruir de mais liberdade… Eles que iriam usufruir de ferramentas de software de melhor qualidade.

    • tzne says:

      a sua consciência está enganada Joaquim, justamente quando disse “é abrir mão dos amigos(rede sociais)”. vc prefere abandonar seres humanos por uma ideologia? que mentalidade é essa? bem psicopata sem empatia essa mentalidade. perder meios de contato com amigos e família pq eles usam software proprietario é no minomo idiotice.

      • Joaquim says:

        Idiotice é achar que mídias sociais são a única forma de comunicação e mais idiota ainda é achar que pessoa com valores totalmente diferentes do seus são melhores amigos que os que dividem esses valores. Se são parentes ou amigos pra valer nós queremos o melhor para eles, e nós bancamos os “chatos” dando conselhos e falando do lado negativo de certos serviços aparentemente inocentes.

        • tzne says:

          pera ae, quer dizer que meus amigos de infancia que sao meus amigos até hoje nao sao meus amigos de verdade pq nao compartilham o mesmo ideal que eu? eu divulgo software livre, minha namorada usa, meus amigos computeiros também, graças a mim, minha consciencia ta limpa, mas tem vezes que sou eu que preciso me sacrificar, alias a vida nao é todo mundo fazendo os seus gostos :)

          • Joaquim says:

            Como eu disse desde de o começo:
            É uma pena que existam pessoas como você que acha que defender a liberdade seja um sacrifício!

            Uma pena as pessoas acharem que não usar os serviços de empresas que não respeitam os direitos de seus usuários seja um sacrifício.
            Uma pena as pessoas acharem que fazer sua parte seja um sacrifício grande demais.:'(

          • MIGU3L says:

            Falácia do espantalho… Que coisa feia tzne!

          • tzne says:

            A vida requer sacrificios, uma pena é ver pessoas como você que não percebem isso e preferem se apegar a sua ideologia como se fosse uma mulher. De novo e pela ultima vez: a vida não é como VC sonha. Está agindo como uma criança, melhor voltar aqui quando aprender a ser adultos.
            E MIGU3L demonstre o espantalho pq aparentemente vc nem sabe o que é.

          • MIGU3L says:

            O Joaquim ARGUMENTOU que pessoas sem consciência veem a contribuição ao movimento do SL como um sacrifício.

            Você disse que a essa “consciência” estaria enganado porque ele estaria defendendo uma ideologia psicopata, onde as pessoas são descartáveis e/ou menos importante que um ideal. Mas ele não defendeu nada disso!

            Na verdade o Joaquim disse(ou tentou dizer) que algumas pessoas veem os “contatos” nas “redes sociais” como amigos. E portanto abrir mão de uma conta nessas redes significaria (na cabeça das pessoas sem “consciência”) o mesmo que abrir mão dos amigos. Isso foi apenas uma pequena parte do comentário dele escrita para fortalecer o argumento inicial.
            Mesmo que você tivesse entendido errado essa parte da fala dele, ainda assim, o que você escreveu não seria um contraponto ao argumento dele.

            Ou seja, você não contrapôs o argumento. Você usou pela primeira vez a falácia do espantalho.

            Como o Joaquim não percebeu ele escreveu:
            “Idiotice é achar que mídias sociais são a única forma de comunicação e mais idiota ainda é achar que pessoa com valores totalmente diferentes do seus são melhores amigos que os que dividem esses valores. Se são parentes ou amigos pra valer nós queremos o melhor para eles, e nós bancamos os “chatos” dando conselhos e falando do lado negativo de certos serviços aparentemente inocentes.”

            No caso desse comentário os argumentos levantados pelo Joaquim foram:
            1) Mídias sociais não são o único meio de comunicação com os amigos.
            2) Há uma afinidade maior entre pessoas que pensam igual.
            3) Quando nós nos preocupamos com as pessoas tentamos influenciá-las positivamente.

            E Você não contrapôs esses argumentos também. Você usou outra vez a falácia do espantalho ao distorcer o comentário dele dizendo que ele estaria lhe incentivando a abandonar seus “amigos de verdade”.

            Mas eu fiquei muito curioso… O que seria uma falácia do espantalho para você?

          • Joaquim says:

            Concordo com você quando diz que viver requer sacrifícios. Em momento algum disse o contrário!

            Não concordo é com quem pensa que contribuir com projetos de software livre seja um sacrifício. Eu acho um verdadeiro absurdo os usuários que se aproveitam das ferramentas sem dar nada em troca e ainda criticam quem contribui ativamente.

            Também não concordo com quem pensa que se recusar a usar serviços de empresas que sabidamente não respeitam os direitos de seus usuários seja um sacrifício. Ainda mais sabendo que existem alternativas de outras empresas que respeitam.

            Não concordo com você quando fala que defender uma ideologia e seus princípios e valores seja equivalente a se “apegar a uma mulher”. Na verdade eu poderia discutir com você o dia inteiro sobre o lado negativo de um amor incondicional, mas isso não tem nada a ver com o que está sendo discutido aqui.

            “De novo e pela ultima vez: a vida não é como VC sonha.”
            Você não precisa me dizer isso. Eu sei muito bem que o mundo não é como eu gostaria que fosse.
            E eu deixei isso bem claro desde de o meu primeiro comentário. Você leu o comentário na íntegra? Ou só leu a parte das redes sociais (porque aparentemente eu estava dizendo para agirmos como psicopatas)?
            Com relação essa parte eu concordo com o MIGU3L suas respostas foram sim falaciosas!

            “Está agindo como uma criança, melhor voltar aqui quando aprender a ser adultos.”
            Não entendi!
            O quê é agir como criança?
            É ter ideais, princípios e valores?
            É defender o quê achamos certo?
            É achar que as coisas e pessoas pedem ser melhores do que são hoje?
            Explique de onde você tirou tamanha asneira!

            E eu acho que você não está de “consciência limpa” coisíssima nenhuma. Você está claramente incomodado com esse debate entre integrantes do movimento de software livre e os hipócritas/demagogos. Como eu, que me incomodo muito com os aproveitadores.

            Te desafio a provar que você realmente é um ativista!
            Quem é você?
            Qual trabalho você fez? E qual você faz?
            Que projetos você ajudou? E quais você ajuda?

            Só não me venha dizer algo do tipo:
            Jogo “papelzinho” no lixo por isso sou Ativista Ecológico!
            Coloco comida pro meu cachorro todo dia e dou banho nele uma vez por mês, logo sou Ativista dos Direitos dos Animais!
            Como carne só 3 vezes por semana por isso sou vegetariano!
            Mimimimi, eu não preciso provar nada pra ninguém!
            Seria lamentável você vir com outra dessas.;)

            Se não quer ajudar então não atrapalha quem realmente quer fazer! (Se a carapuça servir tzne então não enche!)

          • tzne says:

            Engraçadissimo que eu nao disse nada de ideologia psicopata kkkkkkkkkkkkkkkk eita ta aí o falacioso acusando o outro de falácia, trofeu joinha pra vc.

            “Não concordo é com quem pensa que contribuir com projetos de software livre seja um sacrifício. Eu acho um verdadeiro absurdo os usuários que se aproveitam das ferramentas sem dar nada em troca e ainda criticam quem contribui ativamente.” <<—– que nao é o meu caso :)

            "Também não concordo com quem pensa que se recusar a usar serviços de empresas que sabidamente não respeitam os direitos de seus usuários seja um sacrifício. Ainda mais sabendo que existem alternativas de outras empresas que respeitam."
            vc nunca pode saber se quem ta por trás respeita ou nao ja que ele pode ser um cara desonesto ou uma empresa desonesta, a nao ser que vc parta de algum pressuposto.

            "Você não precisa me dizer isso. Eu sei muito bem que o mundo não é como eu gostaria que fosse.
            E eu deixei isso bem claro desde de o meu primeiro comentário. Você leu o comentário na íntegra? Ou só leu a parte das redes sociais (porque aparentemente eu estava dizendo para agirmos como psicopatas)?
            Com relação essa parte eu concordo com o MIGU3L suas respostas foram sim falaciosas!"
            ok, posso ter compreendido mal seu comentário, mas mantenho minha discordancia sobre largar redes sociais (amigos).

            "O quê é agir como criança?
            É ter ideais, princípios e valores?
            É defender o quê achamos certo?
            É achar que as coisas e pessoas pedem ser melhores do que são hoje?
            Explique de onde você tirou tamanha asneira!"
            é por princípios e valores acima de uma boa relação social entre humanos. só é essa a minha discordancia.

            "Te desafio a provar que você realmente é um ativista!
            Quem é você?
            Qual trabalho você fez? E qual você faz?
            Que projetos você ajudou? E quais você ajuda?"
            ajudava no Debian reportando bugs, sugerindo recursos e promovendo-o já que não sou programador, já tentei fazer o mesmo pelo Gnome, mas o Gnome veio me decepcionando ultimamente, Mozilla idem. já fui ativista GNU que promovia o GNU, hoje uso BSDs e promovo eles. meu lance mesmo são os sistemas operacionais livres :)

            mas ok, desculpe se te interpretei mal.

          • Alberto Nascimento Andrade Junior says:

            caros amigos,
            estes replys são um bom exemplo do que o artigo trata.
            qual direção queremos seguir?

            abs!

  6. 4F says:

    Achei a materia interessante (mais do que as que li ultimamente sobre a mesma questão) e também achei corretas algumas das apreciações do autor.

    Mas tem alguns outros pontos, que não entendi bem. Por exemplo:

    “Não há um conflito conceitual entre Software Livre e Software de Código Aberto”

    Se é assim, por que a OSI deixo RMS de fora desde um princípio? Por que o próprio RSM fez até questão de salientar as diferências:

    https://www.gnu.org/philosophy/open-source-misses-the-point.html

    mais de uma vez, inclusive:

    https://www.gnu.org/philosophy/free-software-for-freedom.html

    “Acho que talvez sim, o movimento como o conhecemos tenha de fato morrido, mas simplesmente como resultado de termos atingido nosso objetivo (ou o mais próximo disso).”

    Se o objetivo era criar um SO totalmente livre, então juntado o software GNU (bash,gcc, etc) com o kernel Linux, certamente tem um SO livre (a pesar de tudo, o Linux é GPL v2 :-)

    Agora , uma das coisas que cobraria do movimento SL é justamente o fato de ter se acomodado , por assim dizer, com o kernel Linux e não ter evoluido mais. Quero dizer, se o Hurd era tão dificil de desenvolver, então criar um outro kernel, mesmo que seja monolítico.

    Em fim, miha opinião de maneira muito resumida:

    1. Software livre no Brasil: Parece que poucos enteram de que se trata. Se for assim, melhor que morra mesmo.

    2. Software livre (em geral): Acho que não morreu, mas se acomodou, talvez de maneira perigosa. Mesmo assim, ninguem duvida do seu legado e significado.

    3. Open source != Software livre: Acho engano pensar que Open-souce seja a “evolução” ou a “consequencia natural” do SL.

    (OBS: Os pontos 1, 2 e 3 são opiniões pessoais, e NÃO se referem a ningum conceito que o autor da materia tenha expressado nela).

    • spectra says:

      Achei a materia interessante (mais do que as que li ultimamente sobre a mesma questão) e também achei corretas algumas das apreciações do autor.

      Obrigado.

      Mas tem alguns outros pontos, que não entendi bem. Por exemplo:

      “Não há um conflito conceitual entre Software Livre e Software de Código Aberto”

      Exatamente isso que escrevi. As 4 liberdades são completamente compatíveis com os 10 pontos da definição de software de código aberto. Também como eu escrevi, “O ponto de atrito entre Open Source e Free Software é um de valores: para o primeiro, um Software não-Livre é uma solução sub-ótima; para o segundo, um problema social“. Uma excelente leitura a respeito é o artigo que eu linkei nesse ponto do texto.

      Se é assim, por que a OSI deixo RMS de fora desde um princípio? Por que o próprio RSM fez até questão de salientar as diferências:

      https://www.gnu.org/philosophy/open-source-misses-the-point.html

      mais de uma vez, inclusive:

      https://www.gnu.org/philosophy/free-software-for-freedom.html

      O RMS não gosta do Open Source por que acredita que os valores são diferentes. Vejo que você linkou o mesmo artigo, mas não deve ter se atentado para isso, que está textualmente escrito lá. Vou colar aqui para destacar:

      The fundamental difference between the two movements is in their values, their ways of looking at the world. For the Open Source movement, the issue of whether software should be open source is a practical question, not an ethical one. As one person put it, “Open source is a development methodology; free software is a social movement.” For the Open Source movement, non-free software is a suboptimal solution. For the Free Software movement, non-free software is a social problem and free software is the solution.

      (…)

      Radical groups in the 1960s developed a reputation for factionalism: organizations split because of disagreements on details of strategy, and then treated each other as enemies. Or at least, such is the image people have of them, whether or not it was true.

      The relationship between the Free Software movement and the Open Source movement is just the opposite of that picture. We disagree on the basic principles, but agree more or less on the practical recommendations. So we can and do work together on many specific projects. We don’t think of the Open Source movement as an enemy.

      Entedeu agora?

      “Acho que talvez sim, o movimento como o conhecemos tenha de fato morrido, mas simplesmente como resultado de termos atingido nosso objetivo (ou o mais próximo disso).”

      Se o objetivo era criar um SO totalmente livre, então juntado o software GNU (bash,gcc, etc) com o kernel Linux, certamente tem um SO livre (a pesar de tudo, o Linux é GPL v2 :-)

      Aqui você talvez tenha razão, deixei de esclarecer qual o objetivo do Movimento Software Livre. No entanto isso é uma figura de retórica intencional no meu texto: um movimento plural vai ter tantos objetivos quanto pessoas que participem dele.

      De um ponto de vista anedótico, o objetivo sempre foi World Domination. E isso penso que atingimos.

      Agora , uma das coisas que cobraria do movimento SL é justamente o fato de ter se acomodado , por assim dizer, com o kernel Linux e não ter evoluido mais. Quero dizer, se o Hurd era tão dificil de desenvolver, então criar um outro kernel, mesmo que seja monolítico.

      Pois é… mas isso não é Bazar. Você não tem uma autoridade central a quem “demandar” algo. Você pode arregaçar as mangas e trazer a sua contribuição ao Bazar, como o Linus fez, e esperar que outras pessoas se juntem a sua iniciativa. Não se pode cobrar isso do “Movimento Software Livre”… se alguém acha que pode fazer isso é pq não entendeu direito o Bazar.

      Em fim, miha opinião de maneira muito resumida:

      1. Software livre no Brasil: Parece que poucos enteram de que se trata. Se for assim, melhor que morra mesmo.

      Acho que não é isso. Acho que passamos por uma fase e temos de nos preparar a trabalhar na próxima.

      2. Software livre (em geral): Acho que não morreu, mas se acomodou, talvez de maneira perigosa. Mesmo assim, ninguem duvida do seu legado e significado.

      Mesmo acima. Acho que estamos em uma “crise geracional”, em que a velha guarda já está se envolvendo menos e a nova guarda ainda não se envolveu o suficiente.

      3. Open source != Software livre: Acho engano pensar que Open-souce seja a “evolução” ou a “consequencia natural” do SL.

      Bem… Também não acho que sejam semelhantes, mas também não estão em campos opostos, como o debate do FISL15 colocou. E, se mais nada ficar claro desse post e dos comentários, que isso pelo menos fique.

      • 4F says:

        Como as grandes figuras (Torvalds, Stallman) ainda estão na ativa, não tinha pensado por esse lado.

        Talvez seja como você expressa, apenas um impasse generacional, que venha a ser sanado com o tempo.

        Embora SL e open-source sejam diferentes, concordo que _poderiam_ (note o modo condicional) ser aliados em certos pontos. Mas, não sei porque, não consigo ver um final feliz nessa história.

        De qualquer maneira, fico tranquilo quando sei que existem “radicais” e “loucos” (note o uso de aspas) visionários como Stallman, como também sujeitos “pragmáticos” como Linus Torvalds, e acho que o mundo seria menos interessante sem algum deles.

        Agora, com relação a “oportunistas” como Eric Raymond, não poderia dizer o mesmo, embora isso seja, claro, uma opinão meramente pessoal.

  7. Rafael Gomes says:

    Eu discordo que há uma polarização entre Capitalismo e Comunismo. Eu não me encaixo nesse embate. Eu acho que o Anarquismo tem uma base teórica mais próxima ao que seria essa dualidade, que ainda assim acho que não existe assim tão sólida.

    Discordo também que o capitalismo clássico seja Bazar e fiquei muito curioso pra saber o que lhe fez chegar a essa conclusão :)

    • spectra says:

      Eu também discordo q haja uma polarização. O debate é que reduziu a questão a essa dicotomia, ou pelo menos foi isso q eu vi no debate.

      Também acho q o anarquismo, especialmente o que chamo de “libertarismo” no texto, seja mais próximo do Software Livre. De qualquer forma, não era essa a questão. Até podemos debater isso, mas não é disso q trato no texto.

      Quanto a capitalismo clássico… Esse é outro ponto espinhoso q também não é objeto do texto. Mas, resumidamente, o capitalismo é entendido classicamente como o sistema de trocas voluntárias entre pessoas livres agindo de forma não-agressiva. E isso é o equivalente ao Bazar do Eric Raymond. Não confunda capitalismo clássico com o que temos no mundo hoje. São coisas muito diferentes…

      • Rafael Gomes says:

        De fato, não é mesmo o foco do texto, mas fiquei curioso, o foco do texto não me interessa muito, pois acho que talvez seja muita atenção para algo isolado, na pespectiva de apenas uma pessoa.

        Ainda sobre o capitalismo clássico, é aquele que na teoria é lindo, mas que não há mecanismos claros para colocar em prática o que se propõe, né? :)

        Eu continuo achar que o Bazar esteja mais para o anarquismo do que para o capitalismo clássico.

        O que mais me incomoda disso tudo ultimamente, é esse despolitização dos debates, estamos em uma fase tão horrível em nosso país que se entender enquanto ator político é dito como algo ruim, algo a ser evitado. “Religão, futebol e política não se discuti” como é bem dito por aqui na Bahia. Acho que podemos sim politizar os debates, quando for possível e necessário e discutir o tema como seres adultos e pensantes.

        Sei que você não precisa disso Spectra, mas para outros possíveis leitores, política não é necessariamente política partidária.

        “Política denomina arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados; aplicação desta ciência aos assuntos internos da nação (política interna) ou aos assuntos externos (política externa).1 Nos regimes democráticos, a ciência política é a atividade dos cidadãos que se ocupam dos assuntos públicos com seu voto ou com sua militância.” (Wikipedia)

        • spectra says:

          Ainda sobre o capitalismo clássico, é aquele que na teoria é lindo, mas que não há mecanismos claros para colocar em prática o que se propõe, né? :)

          Não. Como eu escrevi na outra resposta, capitalismo clássico é apenas o sistema de trocas voluntárias não agressivas. Não há nada de utópico quanto a isso. É simplesmente uma característica emergente das pessoas. Eu tenho um quilo de arroz e você tem uma pele de alpaca. Para mim esse quilo de arroz não faz falta, é excedente, uma vez que eu planto arroz. Para você essa pele de alpaca não faz falta, é excedente, uma vez que você caça alpaca. Você, um caçador experimentado, pode simplesmente me matar e ficar com o arroz, fazendo prevalecer a lei do mais forte, mas aí terá de caçar e plantar arroz; eu, por outro lado, posso roubar-lhe uma das peles de alpaca enquanto você estiver fora caçando, e provavelmente você nem vai notar. No entanto só posso usar a pele de alpaca em casa por que se você ficar sabendo eu estou morto. Muito mais simples trocarmos uma pele de alpaca por um quilo de arroz: ambos saímos ganhando e ainda estamos vivos. E mais, podemos até nos tornar amigos.

          Aumente a escala disso e teremos um Bazar.

          Eu continuo achar que o Bazar esteja mais para o anarquismo do que para o capitalismo clássico.

          OK. Mas entenda que não é uma questão de opinião. E, certamente, eu não pretendo mudar a sua :-)

          O que mais me incomoda disso tudo ultimamente, é esse despolitização dos debates, estamos em uma fase tão horrível em nosso país que se entender enquanto ator político é dito como algo ruim, algo a ser evitado. “Religão, futebol e política não se discuti” como é bem dito por aqui na Bahia. Acho que podemos sim politizar os debates, quando for possível e necessário e discutir o tema como seres adultos e pensantes.

          Isso me incomoda um pouco também. Mas também não é a questão. O debate do FISL15 que motivou meu artigo colocou em lados opostos Open Source e Free Software. Colocou-os em lados tão opostos que os identificou com capitalismo e comunismo, respectivamente. E, enquanto a última oposição é verdadeira, a primeira é falsa. Tanto conceitualmente quanto pragmaticamente. É disso que se trata o meu post (pelo menos uma parte dele).

          Sei que você não precisa disso Spectra, mas para outros possíveis leitores, política não é necessariamente política partidária.

          Aqui estamos falando a mesma língua. O debate político no Brasil ficou tão unilateral que simplesmente ninguém aguenta mais política partidária e esquece que “política” é muito mais do que isso. De qualquer forma, também não é disso que trata o post. :-)

    • UnderVelvet says:

      Não é o Anarquismo, e sim o DIY (do Do-It-Yourself), que contrapõe qualquer forma de massificar uma ideologia. O Faça-Você-Mesmo está presente nos textos de muitos autores de software livre e isso não é anarquismo. O conceito Anarquista se enquadra aos mesmos princípios de outras ideologias como Nazismo e Comunismo, pois um ideal massificado apenas serve para manipular a massa. O Anarquismo foi propagado pela propria mídia manipuladora. Uma ideologia não pode ser massificada, pois a população não irá pensar por sí só, e vai ter alguém pensando por eles; daí o conceito Do-It-Yourself (Faça-Você-Mesmo) ser oposição a toda forma de ideologia massificada

      • spectra says:

        OK. Você pode pensar q anarquismo é isso. No entanto, como deixei claro no texto e no comentário, falo especificamente do anarquismo como visto pelo libertarismo. http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Libertarismo

        E, de qualquer forma, essa discussão nada tem a ver com o texto e foi abordada marginalmente, apenas para estabelecer um dos pontos do meu argumento…

  8. Pablo.

    Obrigado pela bela opinião.

    Tenho a certeza que é a de vários.
    Aproveito para agradecer também as autores da motivo dessa.

    sds,
    Siríaco.

  9. UnderVelvet says:

    Não confundam liberdade com libertinagem…. porque liberdade tem limites. A libertinagem feita por licenças com alto nivel de permissibilidade geram softwares fechado como ocorreu com o BSD/MS Windows 8, o que nao eh interessante para a comunidade Open Source. Parabens pela materia.

    • tzne says:

      trollagem isso? o que o Windows 8 tem de BSD? nenhum Windows NT usa código do BSD mais, tsc tsc, dê uma estuda antes de vir com esse papinho.

      • Tércio Martins says:

        tzne, você está errado. O Windows 8.1 e o Windows Server 2012 utilizam códigos-fonte do FreeBSD:

        “Portions of this software are based in part on FreeBSD. Because Microsoft has included the FreeBSD software in this product, Microsoft is required to include the following text that accompanied such software:”

        E logo após aparece o texto da licença BSD.

        A página com as informações de copyright do Windows é

        http://technet.microsoft.com/en-us/library/dn486827.aspx

        • tzne says:

          hmmm, interessante… ainda bem que eu posso usar a opção original que é livre e open source e….Unix :D. usa software proprietário quem não é conscientizado ou nao tem capacidade de levantar a bunda do Windows.

  10. spectra says:

    @Marcel,

    Corrigido. Obrigado.

  11. Correção: É Marcel, não Marcelo hehe

    Parabéns pelo texto.

    Abraço!

  12. tzne says:

    Concordo contigo. Sou ativista, usuário de FreeBSD e não me considero parte dessa laia que nem ler o site do projeto GNU sobre licenças sabem ler e preferem se recusar a contribuir com projetos BSDs por não serem GPL, como eu já ouvi de um dos caras da bancada desse mesmo debate…(mas contribui para o Firefox que é MPL). Ou Reclamam que o FreeBSD nao é totalmente livre como desculpa para não ajudá-lo, só que também não fazem nada para mudar o quadro a não ser ficar dentro da sua caixinha de GNU O Libertador, como se o GNU, sistema operacional que não tem nem kernel pronto, fosse o único livre…
    Fiz um blog a respeito da história do software livre onde pretendo desmentir tais caras a respeito da “liberdade” do software que eles pregam. Eu digo que são os pioneiros do Movimento do Software Nazista. Exceto o Oliva, mas do Anahuac em diante é triste ter tais membros se dizendo ativistas.
    http://bsdeb.wordpress.com/2014/06/08/a-historia-do-software-livre-parte-1-o-surgimento-do-unix/

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