Mitos sobre o FISL #1

Posted by – 01/07/2009

Muita coisa está sendo dita sobre o FISL, tanto de bom quanto de ruim, como
sempre acontece. É sempre um tal de alguém cobrar mais palestras técnicas, ou
de dizer que o FISL é essencialmente político, ou de cobrar prestação de
contas. Mais do mesmo, vindo, invariavelmente, das mesmas pessoas. No entanto,
o FISL10 gerou mais feedback positivo do que o contrário. Mesmo com a
“interdição” parcial que sofreu no terceiro dia. Logo, antes de começar, quero
agradecer a presença e participação de todos.

Com esse artigo eu começo a abordar alguns desses mitos… O primeiro: O FISL
é um evento essencialmente político.

Esse é facilmente rebatido. Basta uma pequena olhada na grade de
programação
. Com a ajuda de um
pequeno one-liner bash / perl, dá pra ver que são 204 palestras técnicas
contra 175 não-técnicas:


spectra@harad:~$ wget -q -O /dev/stdout http://fisl.softwarelivre.org/10/papers/pub/ | perl -lne '$i++ while m/=.tech_track_[0-9]+/g;END{print $i}'
204
spectra@harad:~$ wget -q -O /dev/stdout http://fisl.softwarelivre.org/10/papers/pub/ | perl -lne '$i++ while m/=.non_tech_track_[0-9]+/g;END{print $i}'
175
spectra@harad:~$

Claro, os critérios para classificar algo como técnico ou não-técnico são
subjetivos, e emanam do Comitê de Programa. No entanto, nenhum “Case” foi
considerado técnico, assim como as provas da LPI ou a maioria esmagadora da
trilha de Ecossistema. Só por isso dá para perceber um viés para considerar
coisas técnicas como sendo não-técnicas (talvez o Comitê de Programa esteja
escaldado, sei lá). Logo, na realidade, há uma proporção ainda mais favorável
a sessões técnicas do que os 53,8% demonstrados acima.

Facilmente, também, se percebe que os que quisessem seguir um caminho
puramente técnico teriam de 3 a 8 alternativas concorrentes no mesmo horário
(exceto na abertura, no horário prévio ao encerramento e no encerramento do
FISL, embora isso também seja questionável). Tendo participado do processo do
Comitê de Programa, me entristece ler ou ouvir comentários como “O FISL é
político”. Como vimos, isso, além de ser uma simplificação, é um erro. O FISL
é político também, e é assim by design. A ASL acredita que o Software
Livre seja o precursor de uma mudança que atinge todos os níveis da sociedade,
com implicações em todas as áreas… Partindo dessa premissa, é impossível
fazer um FISL 100% técnico – mas é possível fazer um FISL essencialmente
técnico, como foi o caso do FISL10.

Entendo que essa posição da ASL com o FISL seja questionada pelos que acham
que o Software Livre é somente escovação de bits, e não os critico por isso:
ninguém é obrigado a se importar com política ou fazer filosofia. Para esses
as 204 sessões técnicas do FISL10 estavam lá, esperando pela sua participação.
Tinha até uma sessão de um turno inteiro para os que quisessem hackear o
kernel do Linux, ou duas horas inteiras para hackear o LTSP! Teve um dia
inteiro de Oficina da TV Digital! Por favor…

Uma coisa o FISL não faz, isso sim: dar importância exagerada ao hacker.
Seguramente eles são postos sob os holofotes (mais do que muitos desejariam),
mas não são somente eles postos sob os holofotes. Será que esse é o erro?
Igualar hackers do Software Livre com seus filósofos em termos de holofotes?
Não sei (e isso é só especulação da minha parte) mas tenho a impressão que
alguns hackers queriam mais atenção (ou pelo menos mais atençao do que
alguns filósofos)...

23 Comments on Mitos sobre o FISL #1

  1. spectra says:

    @Filipe,

    Você pode achar demagógico ou filosoficamente barato… como eu disse, opinião e bunda cada um tem uma. A divulgação do que quer que seja a respeito das finanças do FISL é atribuição exclusiva do conselho da ASL e, em última instância, somente permitido pelos seus sócios. Esses dados pertencem aos sócios da ASL… se, enquanto assembléia, eles desejarem divulgar, o conselho o fará.

  2. spectra says:

    @Eduardo Habkost,

    Os propósitos de uma entidade democrática (associação, clube, sindicado, país) mudam conforme o desejo de seus membros. Vou considerar o convite ainda em aberto, se me permite.

  3. spectra says:

    @Luís Guilherme,

    O Marcelo Branco não estava a frente do FISL8 (e acredito que nem estava muito ativo no FISL naquela época), e a decisão de utilizar CC-by-nc-sa nos videos foi do pessoal da TVSL (e eu entre eles), ratificada em reunião preparatória do FISL… É muito difícil escolher uma licença e a TVSL estava muito “imatura” naquela época (mea culpa)… Se não me engano fomos mais flexíveis no ano seguinte, deixando que o palestrante escolhesse outra licença (mas ainda assim privilegiando a CC).

    Talvez vc estivesse se referindo ao Marcelo H. Terres? Se realmente vc quis dizer Marcelo Branco (não me lembro dele muito envolvido no FISL8), ele deveria apenas estar sustentando a decisão da equipe da TVSL

  4. spectra says:

    @Eduardo Habkost July 03, 2009 01:38 PM,

    Concordo com (1), o Software Livre não precisa do apoio de nenhum presidente de país nenhum… No entanto, eu não disse isso, nem o Marcelo H. Terres tampouco. Mas, se contamos com o apoio de um presidente, vamos fazer o que?

    Prefiro pensar ao contrário: quero que o governo do meu país use Software Livre ao invés dos softwares fechados (seja ele de que partido for). Quero isso por que quero saber o caminho que os dados do meu imposto de renda seguem na TI do governo. Quero isso por que quero ter certeza de que vamos sempre ter acesso aos dados governamentais armazenados, e não ficar dependente de alguma fabricante de software para acessá-los. Logo, prefiro pensar que o Presidente veio para que continuemos a ajudá-lo tecnicamente em seu governo, não para que o re-elejamos (ou quem quer que seja).

    Discordo de (2): a base do Software Livre é a subversão do copyright. O gotcha que você não está percebendo é que os proponentes do SL (sim, não foram somente o Stallman) foram inteligentes o suficiente para usar o copyright para atingir seus objetivos. Os 20% hipotéticos restantes da sua colocação são os defensores do Open Source e têm seus méritos (e, se quiserem, podem participar das 204 sessões que dizem mais respeito a sua ideologia)… Mas o FISL tem Software Livre no nome…

    Quanto a (3), acho q acabei respondendo acima. Não ter seu nome associado a “isso” é um direito seu. Não sabia que pensava assim e me desculpo por tê-lo convidado à sessão de Kernel Hacking… Mas, como eu disse, a ASL é plural e democrática; por isso reitero o convite que já fiz antes: pelo menos dê uma passada em uma das reuniões… Precisamos de todas as correntes lá e acho que você representa uma das que mais sentimos falta.

  5. spectra says:

    @Eduardo Habkost July 03, 2009 12:46 PM,

    Cara, opinião é como bunda, cada um tem a sua e sabe onde está o buraco (puta filosofia, hein?).

    Comentando seu reply: não acho q ele estivesse em campanha simplesmente porque poderia alegar que o José Fogaça estava em campanha igualmente (e as eleições municipais estão ainda mais longe!). Agora, vc pode acreditar no que quiser… Ele pode estar em campanha desde que ganhou a primeira eleição, se essa idéia satisfaz…

    O FISL é de Software Livre, e não Open Source (apesar da sobreposição óbvia). O Software Livre é ideológico por definição. Simplificando (e correndo o risco de simplificar demais), o Software Livre é um hack do sistema de copyright, e como tal, se opõe ideologicamente a ele. Nesse aspecto, o Peter Sunde se encaixa perfeitamente. Se não por esse aspecto, o TPB usa SL em sua infraestrutura de maneira super eficiente, e só isso já o colocaria tecnicamente no FISL, para demonstrar a solução (e ele estava lá tecnicamente falando também).

    O Marcelo Branco é outro aspecto. Ele é, hoje, o coordenador-geral da ASL. Eleito democraticamente na assembléia de sócios do ano passado. O coordenador-geral empresta para a ASL a “cara” dele durante seu mandato (no caso, uma cara de luta socialista e tal), como outros fizeram. Meu sócio, Marlon Dutra, já foi coordenador-geral da ASL e, durante seu mandato, o FISL tinha uma “cara”, mais capitalista, empresarial… Isso acontece e é saudável tanto para a ASL como para o FISL, IMHO. Eventualmente, até você pode ser o coordenador-geral da ASL… por que não?

    Quanto a esse “jeito de ser” do FISL afastar quem não gosta de política… bem, como vc disse: cada um pensa o que quiser… Para os que não gostam de política, temos 204 palestras técnicas que estavam ocorrendo… 38 delas ocorrendo durante a visita do Presidente.

  6. spectra says:

    @Filipe,

    Você está colocando a carroça na frente dos bois. Como eu disse, esse artigo é o primeiro de uma série. Pretendo abordar isso em algum post a seguir.

  7. Filipe says:

    @spectra
    Pois é, e porque a ASL não divulga quanto $ arrecadou com o FISL, quanto e como gastou, etc?
    Fiz a mesma pergunta em outro post e ninguém apareceu para responder.
    http://br-linux.org/2009/convenio-confirma-que-o-fisl-continua-em-porto-alegre/

    E porque a ASL não pode divulgar e tantos outros divulgam na boa e ninguém se defende dizendo que não pode divulgar??

    http://foundation.gnome.org/finance/
    http://web.archive.org/web/20080927065450/http://tchelinux.org/blog/?page_id=42

    São só algumas perguntas, sem resposta, mas por favor, não quero respostas filosóficas/politicagem.

  8. spectra says:

    @Eduardo Habkost,

    Dizer que o FISL foi utilizado para fins políticos é uma interpretação possível. No entanto, IMHO, equivocada. Há muito tempo que convidamos o Presidente da República, fosse ele quem fosse. O caso do Lula é especial, já que ele deu a idéia da Arena de Programação… Mas isso é outra história.

    Acho equivocada a sua interpretação por que (1) as eleições presidenciais são somente em 2010; (2) estiveram presentes 3 Ministros (Casa Civil, Comunicações e Justiça), e não somente a (candidata?) Dilma; (3) Não vi ou ouvi nenhuma alusão às eleições; (4) No discurso da Ministra Dilma, ela foi pragmática, falando de números e sequer mencionando as eleições; (5) O prefeito José Fogaça esteve presente e é de outro partido; (6) a governadora Yeda Crusius foi convidada, confirmou a vinda mas não apareceu (e é de ainda outro partido).

    Eu acho q nós devemos tentar parar de procurar chifre em cabeça de cavalo (como se diz aqui no Rio Grande do Sul)… Temos de parar de interpretar tudo o que o presidente faz como utilização política. Se ele tivesse vindo em 2006, quando fizemos a primeira arena, seria utilização política? Se o presidente fosse de outro partido (afinal, o Software Livre é apartidário), sua vinda seria utilização política?

  9. spectra says:

    @vdittgen,

    Cara, que bom que vc gostou. Quanto a ideologia/política não poder ser deixada de lado… isso é discutível. Indubitavelmente ela pode ser deixada de lado, na medida que existem eventos que efetivamente o fazem… no entanto, é entendimento da ASL e do PSL-Brasil que no FISL ela não o seja. Assim, um FISL 100% técnico é outro evento, e não o FISL.

  10. @spectra: agradeço novamente o convite.

    @Felipe Mobus: eu confesso que não li o seu comentário todo, mas eu reconheço a relação entre “cultura livre” e “software livre” pelo simples fato de que a distinção entre “software” e “cultura” é sutil. Eu acho que se eu lesse seu comentário todo ia concordar com a maioria dos pontos e paralelos. 🙂

    Eu já abusei demais do assunto, mas acho que vale a pena comparar: pra mim “cultura livre” está para “the pirate bay” assim como “software livre” está para “usar software (proprietário ou não) sem seguir a licença”. Não estou dizendo que o segundo grupo é necessariamente ruim, isso já é outra história.

    E se eu não responder mais nenhum comentário aqui ou em outro lugar, me entendam: essa discussão toda já me cansou, e já está afetando minha produtividade no trabalho. Vou tentar me afastar dela. Vou tentar adotar a seguinte regra: não discuto esse assunto com mais ninguém, se não for em uma mesa de bar. 8)

  11. Felipe Mobus says:

    @Eduardo Habkost
    Muito ouvi pessoas questionando a presença do Peter Sunde no FISL, dizendo que isso seria negativo para ao evento, pois causaria associação do Software Livre à pirataria (de software). Muito ouvi também pessoas questionando a moral de falar em “cultura livre” em um evento de software.

    O fato é que cultura livre tem uma relação ideológica forte com o Software Livre. A indústria atual da cultura se sustenta em um modelo de negócios incompatível com os meios tecnológicos disponíveis e a sociedade de hoje, e explora os produtores e consumidores de cultura para fins financeiros. Perceba que não estou demonizando o capitalismo ou a vontade de auferir lucro… meu problema é com a inutilidade do middle man, e todos as barbaridades que ele comete para manter sua féria. Dentre estas barbaridades, posso citar:

    1) a comercialização dos direitos autorais de uma obra. Embora não-objecionável do ponto de vista de first-sale doctrine, ao qual subscrevo, cabe a pergunta: os direitos são comprados por preços justos? os artistas têm opção? Está realmente ocorrendo um incentivo à produção cultural quando grandes corporações detem direitos sobre uma obra?

    2) conseqüência de 1, a extensão tentativa ad infinitum dos direitos autorais sobre obras, que minguou a proporção de obras em domínio público, embora vivamos hoje um período de grande volume de produção cultural (até pq a população é maior). É as leis do Mickey Mouse. Já estamos em morte + 70 né?

    3) relacionado a 2, é questionável se, em primeiro lugar, faz sentido a sociedade conceder direitos (e lucros) sobre uma obra após a morte do autor. Afinal de contas, quando um artista morre, o dinheiro referente ao direitos autoral vai, em teoria, para sua família, certo? Minha pergunta é: isso é realmente justo? Que outra carreira em nossa sociedade garante renda para os meus herdeiros após a minha morte? Por 70 anos? Basicamente, eu não posso mais trabalhar (por estar morto), e isso dá direto aos meus filhos de viver numa boa? Todos os outros mortais, se quiserem garantir o bem-estar de seus herdeiros, fazem investimento. Claro, eu ainda fui inocente: sabemos que o dinheiro não vai pra família.

    4) a manutenção do argumento de que a pirataria empobrece o artista. Isso não é verdadeiro! Os artistas não são burros a ponto de acreditar que sua renda vai vir do direito autoral coletado. Mesmo se todos os direitos fossem coletados como previsto, ainda se traduziria em migalhas, comparado a renda que eles tiram fazendo shows e os cachês para propagandas e eventos. E claro, temos repetidas evidências de que os artistas mais pirateados são justamente aqueles que estão fazendo mais sucesso, e por fazerem mais sucesso, fazem mais shows. Pro artista, em geral, é um lucro.

    5) a estrutura policialesca de coleção do direito autoral. No Brasil, temos o ECAD, que basicamente é a polícia do direito autoral. É uma entidade privada, que recebeu magicamente da sociedade a delegação de fiscalizar o direito dos artistas. Somente pelo ECAD pode o artista receber a féria do direito autoral de execuções públicas de sua obra por terceiros, por exemplo. Quer dizer, se eu quiser tocar um CD do Nenhum de Nós inteiro no meu evento, eu não posso ir para a banda e pagar o direito que lhes é garantido, no preço que nós negociarmos. Eu tenho que pagar pro ECAD, que vai engolir uma parte considerável da grana, e vai distribuir o que sobrar para os artistas usando critérios obscuros. E esses caras são rápidos no gatilho: se você não pagar o ECAD da sua formatura 72 horas antes, os caras vem com oficial de justiça e cancelam o teu evento. E você é obrigado a pagar o ECAD a partir do momento que você usar UMA música. O ECAD te cobra por dia, e por capacidade do local, independente de quantas músicas usares. Eu tive que pagar R$ 20,00 pra poder ter 50 segundos de uma música do Pink Floyd na minha formatura. Quantos centavos disso realmente foram pra banda?

    Todos estes itens tem uma semelhança meio sinistra com as artimanhas da indústria de software proprietário, mas ainda sobra um ponto onde as duas coisas se unem, e de forma muito relevante para os usuários de Software Livre: o DRM. O DRM é o sonho impossível de juntar entregar cyphertext+key+plaintext para um usuário e achar que a informação não vai se propagar alguma hora. Os seus proponentes sabem dessa impossibilidade, e estão tentando empurrar um modelo cada vez mais restritivo de softwares e drivers, que é incompatível com o espírito “go ahead and hack it” prezado pelo SL. O ápice desse ataque é a plataforma de “Trusted” Computing que estão propondo por aí. O dia que TC for a única opção de computação, você vai concordar que existe um fundamento em lutar pela liberdade, e vai ver como é importante o que fazemos hoje.

  12. @spectra: obrigado pelo convite, mas acho que os propósitos da ASL divergem dos meus, não valeria a pena eu participar. A sua definição de “Software Livre” (é a da ASL também?), por exemplo, é bem diferente da minha.

    Quanto ao convite para participação no evento: não há por que se desculpar pelo convite, a decisão de aceitá-lo foi minha.

  13. Já que o Guaraldo postou o mesmo comentário que foi para o meu blog aqui também, vou responder aqui também:

    Guaraldo (e todos os outros voluntários que trabalharam no FISL), se a sua motivação não é política, então seu trabalho foi tão usado quanto o meu.

    Eu também trabalhei nesse FISL, talvez não tanto quanto você, mas trabalhei. E me sinto mal vendo o meu trabalho usado para promover campanhas que não são minhas. Se você não acha que seu trabalho foi usado para fins políticos, melhor (ou pior, dependendo do ponto de vista) pra você.

  14. Eduardo,

    Já fizeste algum evento? Já organizaste um evento que receba mais de mil pessoas? Se sim, conseguiste agradar TODOS os presentes? É óbvio que não. Isso é impossível. Agradar todos que aparecem no FISL (esse ano mais de 8 mil participantes) é um trabalho que nem McGaiver conseguiria.

    Agora, colocar que a ORGANIZAÇÃO como um todo e as GENERALIZAÇÕES que tu tens feito é depreciar o trabalho Hercúrio que todos que estavam organizando o evento tiveram, desde Marcelo Branco até o porteiro do CEPUC.

    Críticas construtivas sempre serão bem vindas e sempre estamos com os ouvidos abertos. Mas críticas destrutivas que depredam o grande trabalho de organizar e manter tudo em ordem antes, durante e depois do FISL é inadimissível. Não posso aceitar que depois de ter passado meses dormindo cerca de 2 horas por noite e, durante o FISL, chegando ao CEPUC às 8h e saíndo de lá próximo às 10h para acompanhar outros eventos noturnos, deixando minha família de lado para dar atenção aos participantes e palestrantes e patrocinadores e TODOS os envolvidos no Fórum venham dizer que eu estou fazendo isso com motivação POLÍTICO-PARTIDÁRIA!!!

    Eu tenho no sangue a filosofia Debian, que o conhecimento é livre, mas também a questão de que as coisas tem que ser feitas da maneira CERTA. Não me venha com partidarísmo, não sou partidário! Não me venha com críticas destrutivas… Eu dou meu sangue nesse evento para que as pessoas curtam… Criticas que “precisa ser mais técnico”, acho válido, mas que “o fórum é usado para promover um político” é fazer de mim um cabo eleitoral, o que não sou e não aceitarei que me chamem assim!!!

  15. O problema, Marcelo, é que o objetivo do Branco nunca foi o SL. Se fosse, ele não teria imposto, no FISL8 (e em outros), que os vídeos só fossem liberados em licenças non-commercial. Restrição à liberdade comercial? Que p… é essa? O Stallman cospe nisso, e estou citando o Stallman porque ele é o mais “de esquerda” dos que realmente defendem o SL. Eu, palestrante, escolhi a licença Atribution – non-commercial, depois de brigar com o Marcelo Branco que queria que o vídeo da minha palestra licenciado em licença realmente livre, sem restrições comerciais. Qual foi o argumento dele? A ladainha anti-capitalista de sempre.

    Esse cara defende o SL? Não. Ele está no barco do SL por estratégia, por ser contra a Microsoft, contra o Copyright, contra o capitalismo. Ele não quer liberdade, quer tirania.

  16. Não quero usar o blog do Pablo pra mover a discussão, mas apenas complementando:

    Quanto a (1) eu discordo, a própria posição de que o SL precisa de apoio do presidente é um posicionamento político. Você pode achar que é justificável e bom e útil ter o presidente, mas muita gente não acha.

    Quanto a (2), suponha que eu concorde com você. Suponha que 80% do público concorde com você. Ainda assim, muita gente acha exatamente o contrário: que a base do SL é o respeito aos direitos autorais, e não quer que SL seja confundido com “pirataria”.

    Quanto a (3), eu não preciso bater palmas pra isso, mas é ele quem tem espaço para falar representando “o FISL”, é ele quem representa a coordenação geral. Não quero ter meu nome e meu trabalho associado a isso.

  17. @Eduardo,

    minhas considerações sobre tuas colocações:

    1) Fechar o evento para a visita do presidente: não considero isso um posicionamento político. Eu acho que tem de chamar o presidente, não importa de que partido ele seja. Acho importante que o representante maior do país apóie nossa causa e visite o fisl. Isso gera credibilidade e destaque para o evento e o SL em nível mundial.

    2) O destaque dado ao cara do TPB, que nada tem a ver com SL: isso é muito ideológico pra mim e não é o que mais gosto de discutir, mas se tu ver bem o Software Livre está aí pra lutar contra tudo o que os detentores de direitos autorais e patentes defendem. Ou seja, quem defende o SL, indiretamente defende a liberdade cultural, de idéias e de conhecimento para toda a humanidade.

    3) Outros eventos individuais, como a pérola “a luta que nós do SL também participamos, contra o regime capitalista”: não vou defender nem brigar por isso. Cada um tem suas opiniões. O fato de eu não concordar com o Branco e sua opinião não vai me fazer desistir do fisl e deixar de acreditar no evento. Como já te disse, nosso grupo na ASL é muito heterogêneo. Posso não concordar com as opiniões do Marcelo Branco, mas são as opiniões dele e eu respeito. Só não preciso bater palmas pra isso. Qualquer um que esteja no fisl (palestrante, organizador, expositor, participante) tem direito de defender e expressar as idéias que bem entender, mas não precisamos concordar com elas 🙂

    []s

  18. @spectra:

    Você acha que o presidente não estava em campanha, eu acho que obviamente estava. Não precisa ser explícito para ser campanha. Vamos “concorodar em discordar” nesse ponto.

    Meu problema não é um evento específico, mas o conjunto que demonstra uma característica visível do FISL: ele representa e ajuda a promover campanhas políticas dos seus organizadores.

    Enumerando o que eu lembro no momento:

    – Fechar o evento para a visita do presidente. Existem as questões práticas complicadas (“será que alguém teria coragem de recusar a visita?”), mas o próprio ato de chamar o presidente é um posicionamento poítico, dos quais muitos participantes e voluntários discordam.

    – O destaque dado ao cara do TPB, que nada tem a ver com SL. Mesmo que 80% do público do FISL goste do sujeito (e mesmo eu estou nesse grupo), os que não querem que SL seja associado com quebra das leis de copyright poderiam ser mais respeitados.

    – Outros eventos individuais, como a pérola “a luta que nós do SL também participamos, contra o regime capitalista” que eu ouvi o Marcelo Branco soltar no Bar Ocidente no longo discurso proferido antes de deixar o Peter Sunde falar.

    Cada item acima isolado não é gravíssimo nem prova nada individualmente, mas o conjunto demonstra um interesse bem forte da organização do FISL (ou parte dela) em promover seus ideais políticos em detrimento das opiniões do público e dos voluntários.

    É direito dos organizadores fazer tudo isso? Provavalmente sim, afinal o evento pertence a eles. Isso afasta o público que discorda de tais campanhas políticas? Sim. Estou exagerando? Cada um acha o que quiser.

  19. Filipe says:

    @spectra,

    Não é necessário um artigo com demagogia e filosofia barata.
    Um simples relatório dos ganhos/despesas para todos serem a TRANSPARÊNCIA (se é que ela existe) já é o bastante.

  20. É isso aí!!! Daqui a pouco se o cara for dar uma cagada, é utilização política do banheiro público…

  21. Juliano Bittencourt says:

    Um grande argumento, no melhor estilo “hacker”, abordando o problema por uma perspectiva de engenharia.

  22. Olhar apenas a grade de palestras não diz muita coisa quanto ao uso do FISL para fins políticos (que é uma das minhas reclamações). Inclusive eu não tenho reclamação alguma quanto ao nível técnico da grade.

    Uma coisa é falar sobre política (o que acho que é bem vindo), outra é usar o evento e o trabalho de voluntários para promover campanhas políticas pessoais.

  23. vdittgen says:

    Software livre em sua essência é uma questão ideológica e política, então não podemos deixar de lado a discussão política que norteia o nosso desenvolvimento!

    Esta edição em nível técnico foi uma das melhores que eu fui, quero parabenizar a vcs pelo excelente nível técnico das palestras desta edição!

    Abs

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