Manipulação das massas

Posted by – 02/08/2008

Eu fico impressionado com a facilidade como se manipula a onipresente “Opinião Pública”. É realmente muito fácil… Não! Não é nem preciso repetir uma mentira mil vezes para que ela se torne verdade… Se Joseph Goebbels estivesse vivo, teria muito mais facilidade para vender a mentira nazista hoje do que então. Aqui vai um roteirinho para facilitar a distorção da verdade, caso você esteja tendo alguma dificuldade na manipulação das massas (em época de eleição… melhor ainda. Se você é candidato, encare o que segue como um resumo atualizado de Il Principe):

  • Revista a sua mentira de qualquer coisa “politicamente correta”. Chamemos isso de EPC: Elemento Politicamente Correto. Pode ser luta contra a pedofilia, contra os acidentes de trânsito… pode ser aumentar o orçamento da saúde, colocar leitos para acompanhantes de grávidas, melhorar a “eqüidade racial” nas universidades… Enfim, escolha um motivo bem politicamente correto.
  • Depois faça um projeto que atenda os objetivos obscuros do seu patrocinador (ou do seu próprio ego).
  • Não esqueça de incorporar o EPC ao projeto… No caso de uma lei, por exemplo, pouco importa se na verdade em 20 artigos, apenas um diga respeito ao EPC (e mesmo assim tangencialmente)… Na verdade, dependendo do apelo que o EPC tenha na sociedade, até mesmo não incorporá-lo ao seu projeto pode funcionar… mas por via das dúvidas incorpore.
  • Depois repasse a mensagem adiante apenas lembrando do EPC. Isso é muito importante! A parte mais crucial do seu esquema é criar um forte laço entre o seu projeto e o EPC de tal forma que sempre que alguém mencionar o EPC, o seu projeto venha na mente. Para ser bem sucedido aqui, você tem de criar uma disciplina mental de não discutir os demais aspectos do seu projeto… A idéia é convencer a todos que o “resto” está lá como suporte ao EPC.
  • Se estiver desconfortável, ou se alguém mais esperto (sempre tem um espertinho) começar a entender o seu esquema, use a estatística a seu favor. Controle todas as variáveis, divulgue apenas as que interessar… Melhor ainda: nem pesquise as que não interessarem ao seu projeto.

Pronto. Você já tem o maquinário necessário para manipular qualquer massa. Veja que é mais fácil do que parece… provavelmente no processo você vai ter de repetir a sua mentira algumas vezes, mas dificilmente vão chegar a mil. Hoje temos uma vantagem que Goebbels não tinha: tudo se multiplica muito mais rápido.

Se você estiver começando nessa arte, talvez seja dificil escolher uma mentira em que se concentrar. Posso então sugerir alguns exemplos clássicos (Atenção aos autores originais desses exemplos: esse texto tem finalidade didática, de forma alguma quero usurpar suas idéias):

Se você quiser passar uma lei contra o consumo de álcool antes de dirigir, você deve convencer a população que mesmo níveis insignificantes de álcool causam problema. Deixe de mencionar o fato de que reflexos suficientes para garantir o ato de dirigir ficam preservados com doses pequenas de álcool, e que soprar o bafômetro em uma blitz é opcional (porque ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo). Quando conseguir aprovar a sua lei, divulgue estatísticas de como o número de acidentes reduziu, mas oculte o fato de que menos pessoas estão saindo de casa por causa da nova lei (menos pessoas = menos acidentes)… oculte o fato de que provavelmente o número menor de acidentes tenha menos a ver com o nível de álcool no sangue do que com o aumento da fiscalização, e que provavelmente o mesmo efeito seria obtido apenas com a última.

Se você quiser tirar mais dinheiro da população, invente uma contribuição para a saúde. De preferência com esse mesmo nome. Diga que toda a arrecadação será revertida para melhorias na saúde, mas oculte o fato de que, por força da desvinculação das receitas, todo o dinheiro arrecadado tem de ir para o caixa único e que não pode ser atrelado exclusivamente a uma área… ninguém precisa saber disso. Depois pegue algum projeto decente de melhoria na saúde e condicione sua aprovação a passagem também de sua contribuição.

Se você quiser parecer bonzinho, use a falácia da igualdade racial (Sim! Falácia! Só existe uma raça: a humana. Não fosse assim, filhos de humanos com a pele clara e humanos com a pele escura não poderiam existir) para introduzir um sistema de cotas na universidade. Diga que o problema é antigo, e que vem de tempos longínquos, e que é obrigação do Estado igualar as condições, mas oculte o fato de que o problema antigo (apesar de real) não tem a ver com o atual, e que o atual consiste nas condições precárias do ensino público, no sucateamento das escolas e no baixo incentivo aos professores. Esse sim é um gol de placa: posa de bonzinho, cala entidades de defesa “racial”, e evita resolver o problema de verdade!

Se você quiser gastar menos dinheiro em segurança, construa uma lei que obrigue todos a comprar certificados digitais, revista essa lei de uma aura de “luta contra a pedofilia”, inclua vários artigos que tornem crime os acessos indevidos (leia-se acessos sem certificado), outros que tornem mais fácil controlar os “sem-certificado”. Faça o que fizer, nunca mencione os certificados, e negue toda a vez que alguém mencionar o assunto. Se o interlocutor for insistente, puxe o argumento da “luta contra a pedofilia” do bolso e cale a boca do interlocutor.

Poderia citar vários outros, mas não quero estragar o estudo de ninguém. Veja que os exemplos acima são fictícios; qualquer semelhança com a vida real não passa de mera coincidência.

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