Fork me on GitHub

Arena de Programação do FISL10 3

Interrompendo minha série sobre os mitos do FISL (não sei se dá para chamar de interromper algo que recém começou), mas seguindo a minha filosofia de blogar sobre algo que me perguntam frequentemente por email, resolvi falar sobre a Arena de Programação do FISL10. Retomo à série RSN.

Brevemente, a Arena de Programação começou há 3 anos com uma idéia simples: uma competição de programação no meio do FISL. A idéia, parcial e originalmente, foi dada pelo Presidente Lula. Exatamente… O pessoal havia, como de praxe, convidado o Presidente para o FISL (dessa vez a oitava edição). IMHO, um convite justo, já que a luta no front político desde a época do Sérgio Amadeu no ITI pelo fomento a utilização prioritária de Software Livre no governo havia sido adotada por ele pessoalmente. Esse convite já havia se repetido em anos anteriores e se repetiu nos seguintes até que ele finalmente veio esse ano... Mas isso é outra história, o que importa é que naquela ocasião o pessoal que levou o convite ouviu dele que seria interessante uma Olimpíada de Programação (outras Olimpíadas similares ele já havia fomentado, como a de Matemática).

Bem… uma Olimpíada é algo que estava fora de nossa alçada (e julgo que esteja ainda, embora me surpreenda cada vez mais com a capacidade do pessoal de fazer as coisas acontecerem – não duvidaria nada…), mas uma Arena em escala menor era possível, ainda mais que era o segundo ano em que estávamos na FIERGS, e espaço lá havia de sobra. Foi construida uma Arena bem no centro da área de convivência, e o resto vocês já sabem…

No FISL10, tínhamos proposto a realização da Arena edição 3. Já sabíamos, de antemão, que o DJB estaria presente, e tínhamos a idéia de propor como desafio tranformar em algo tangível a sua idéia de DNSCurve. Para isso, queríamos programadores que também entendessem de DNS e o básico de criptografia. O sub-comitê da Arena começou a maquinar uma forma de pré-selecionar essas pessoas e inventaram o seguinte desafio:

  • Uma frase criptografada com um método de tabela (na primeira Arena usamos ROT13) seria escondida em um eco server. Essa frase conteria o código de inscrição;
  • A tabela, ela própria, seria oculta em um registro TXT do DNS de arena.softwarelivre.org.
  • Dicas em um comentário HTML seriam postas públicas na página alusiva à Arena no site do FISL.

Então uma “caça ao tesouro” começou, e o sub-comitê ficou bastante excitado com os resultados iniciais. Duas pessoas quebraram o “código” e se inscreveram antes de mais publicidade ter sido dada à Arena. Em seguida um blog foi iniciado por um terceiro (que, pelo que entendi, nem chegou a participar da Arena), levando diversas pessoas a tentar quebrar o desafio…

Tínhamos 21 espaços na Arena, e 22 pessoas conseguiram quebrar o desafio a tempo. No entanto, apenas 11 compareceram no primeiro dia da Arena, tendo sido divididos em 3 grupos de 3 pessoas e 1 dupla. Com o “coaching” do próprio DJB, a Arena começou, dividida em duas partes não necessariamente separadas (implementar um servidor DNS suportando DNSCurve e um cache DNS idem). No segundo dia tivemos uma baixa e um dos trios acabou virando uma dupla.

A competição seguiu acirrada pelos 3 primeiros dias do FISL. No quarto dia os nossos heróis descansaram, aproveitando o restante do FISL enquando o DJB julgava seu trabalho. O grupo vencedor, que levou os Android G1 oferecidos pelo Google, era composto por:

  • Gustavo F. Padovan
  • João Paulo Rechi Vita
  • Rodrigo Exterckötter Tjäder

Eles receberam seu prêmio durante a apresentação dos vencedores, em uma sessão imediatamente anterior ao encerramento do FISL10, apresentada pelo próprio DJB, que preferiu não se posicionar quanto ao segundo lugar, uma vez que todos os trabalhos estavam muito bons. Os demais participantes da Arena foram:

  • Gabriel Quadros Silva
  • Roberto Miura Honji
  • Lauro Cesar de Oliveira
  • Éverton Ribeiro
  • Paulo Henrique Ahagon
  • Murilo Adriano (desistência)
  • Marcelo Saviski
  • Renan Teston Inácio

Parabéns a todos que participaram do desafio de inscrição, a todos que participaram da Arena, e aos vencedores! Nos vemos, novamente, no FISL11!

Mitos sobre o FISL #1 22

Muita coisa está sendo dita sobre o FISL, tanto de bom quanto de ruim, como sempre acontece. É sempre um tal de alguém cobrar mais palestras técnicas, ou de dizer que o FISL é essencialmente político, ou de cobrar prestação de contas. Mais do mesmo, vindo, invariavelmente, das mesmas pessoas. No entanto, o FISL10 gerou mais feedback positivo do que o contrário. Mesmo com a “interdição” parcial que sofreu no terceiro dia. Logo, antes de começar, quero agradecer a presença e participação de todos.

Com esse artigo eu começo a abordar alguns desses mitos… O primeiro: O FISL é um evento essencialmente político.

Esse é facilmente rebatido. Basta uma pequena olhada na grade de programação. Com a ajuda de um pequeno one-liner bash / perl, dá pra ver que são 204 palestras técnicas contra 175 não-técnicas:


spectra@harad:~$ wget -q -O /dev/stdout http://fisl.softwarelivre.org/10/papers/pub/ | perl -lne '$i++ while m/=.tech_track_[0-9]+/g;END{print $i}'
204
spectra@harad:~$ wget -q -O /dev/stdout http://fisl.softwarelivre.org/10/papers/pub/ | perl -lne '$i++ while m/=.non_tech_track_[0-9]+/g;END{print $i}'
175
spectra@harad:~$

Claro, os critérios para classificar algo como técnico ou não-técnico são subjetivos, e emanam do Comitê de Programa. No entanto, nenhum “Case” foi considerado técnico, assim como as provas da LPI ou a maioria esmagadora da trilha de Ecossistema. Só por isso dá para perceber um viés para considerar coisas técnicas como sendo não-técnicas (talvez o Comitê de Programa esteja escaldado, sei lá). Logo, na realidade, há uma proporção ainda mais favorável a sessões técnicas do que os 53,8% demonstrados acima.

Facilmente, também, se percebe que os que quisessem seguir um caminho puramente técnico teriam de 3 a 8 alternativas concorrentes no mesmo horário (exceto na abertura, no horário prévio ao encerramento e no encerramento do FISL, embora isso também seja questionável). Tendo participado do processo do Comitê de Programa, me entristece ler ou ouvir comentários como “O FISL é político”. Como vimos, isso, além de ser uma simplificação, é um erro. O FISL é político também, e é assim by design. A ASL acredita que o Software Livre seja o precursor de uma mudança que atinge todos os níveis da sociedade, com implicações em todas as áreas… Partindo dessa premissa, é impossível fazer um FISL 100% técnico – mas é possível fazer um FISL essencialmente técnico, como foi o caso do FISL10.

Entendo que essa posição da ASL com o FISL seja questionada pelos que acham que o Software Livre é somente escovação de bits, e não os critico por isso: ninguém é obrigado a se importar com política ou fazer filosofia. Para esses as 204 sessões técnicas do FISL10 estavam lá, esperando pela sua participação. Tinha até uma sessão de um turno inteiro para os que quisessem hackear o kernel do Linux, ou duas horas inteiras para hackear o LTSP! Teve um dia inteiro de Oficina da TV Digital! Por favor…

Uma coisa o FISL não faz, isso sim: dar importância exagerada ao hacker. Seguramente eles são postos sob os holofotes (mais do que muitos desejariam), mas não são somente eles postos sob os holofotes. Será que esse é o erro? Igualar hackers do Software Livre com seus filósofos em termos de holofotes? Não sei (e isso é só especulação da minha parte) mas tenho a impressão que alguns hackers queriam mais atenção (ou pelo menos mais atençao do que alguns filósofos)...

FISL10 day 4 0

Today I finally went to attend some lectures. I decided that since I was to give one and Arena was over, I was allowed to just sit there and pretend I was just attending FISL10 and not organizing it.

Well, first things first. My lecture was on my fork to implement PubSub in XMPP4R-Simple. Nothing really fancy, just describing what we’re doing in Propus with that fork. I can upload the slides if somebody asks to, but everything there’s to know about it is in the code.

After having had lunch with some friends and talking with others I haven’t seen since last year (and that I still hadn’t seen in FISL), I went to the Key Signing Party we organized. That went fine. We had 114 different keys sent, but just 42 showed up for the party (including my 2). I don’t know what is the average in other parties, but I think it was enough given we had the competition of other 12 other activities, and it was a first-time experience.

Later I attended to High-Speed Cryptography and DNSCurve lecture by DJB, which was a really amazing talk. I was moderator for a panel between him and Frederico Neves on Wednesday (as I told you before), and I was present when they debated about NSEC3 and how prone to enumeration attacks it is. Frederico challenged DJB to enumerate NIC.br’s NSEC3 testing network under sec3.br. In this talk he told the audience that he enumerated 23 of the 26 hosts in that network just using desktop-level computers (and not some fancy Gigaflop crypto-breaker station)... that is until he had to prepare the last talk. (I am guessing, but he described the technique here)...

After I just learned how to Fail Faster and Succeed Sooner with Michael Tiemann, another good lecture in which Tiemann told how Fedora is coming from failure to failure until the successful last releases (and how did that tied up with RHEL strategy).

Then I went to the Panel on Electronic Frontier, one I was most curious to go. Really interesting panel talking about freedom in the Internet and how we, as citizens, have to oppose anything that takes away this freedom. One of the many good ideas I learned from that panel was how to fight against traffic shaping (one of the many things almost all ISP does in Brazil and don’t say a word about): building our own Community ISP. I found it an interesting idea, but have to research on how it fits in Brazilian legislation (it may even be unlawful).

My initial intent was to escape before the end of that panel in order to attend the session were DJB would announce this year’s Programming Arena winner group. But before I could get out, Marcelo Branco called me to join the panel in his place, since he had to take care of the proceedings to FISL10 final session. So that was it. I still have to ask Organization Committee who own the Arena…

The final session was kind of crazy. The usual announcements of numbers and a presentation of a piece of President Lula speech. Jon ‘maddog’ Hall recorded a video of the audience inviting Linus to come. It were also announced that FISL11 will be in Usina do Gasômetro. I am not too excited about this place, and I still doubt it’ll be ready to hold an event such as FISL… I’ll just play “wait and see” ;)

As usual, FISL10 most lasting “side-effect” was to see old friends. I am already missing people I am sure I’ll just see again next FISL

I’d like to thank all the people that came to FISL10. Hope you enjoyed and come back for FISL11.

FISL10 day 3 - the day I met the President 0

I am a little behind on the reports on FISL, but so much has got my attention during it that blogging was just put in second. I will catch up today, hopefully.

So, during the night of day 2, all those measures I mentioned had to be put in place. That was when I learned that I was suppose to be one of the selected lecturers to meet President Lula in private, representing small free software companies (how awesome!). Others include Peter Sunde, Bdale Garbee, Jon ‘maddog’ Hall, Richard Stallman, Marcelo Tosatti, Pau Garcia-Milá, Sérgio Amadeu, Marcos Mazoni, Ana Amorin, Bruno Souza, Marcelo Branco, Sady Jacques and Mário Teza.

I was told to dress accordingly… I asked what “accordingly” meant (we were in a free software event: jeans and t-shirt seemed “accordingly” to me)... but no reasoning was taken: I had to wear a tie.

Next day I went to PUCRS early, in order to prepare some lines and gather some data I could mention to the President. Something like Free Software adoption rate, which is around 26% per year, or the 134 million USD that this market moved just last year. I would also ask the President to enforce the Free Software priority in training programs sponsored by the Federal Government. I knew I would not have time for a speech or the like, and that this would be more an informal meeting… This, though, was even more difficult to prepare (I would prefer a speech!).

So, I got my pin and went to the Arena to wait for the scheduled evacuation, after which, I was told to wait in the private room, for the President arrival. I was there with the rest of the selected lecturers, so I couldn’t see when he arrived. People told me that he went all around the exposition area, and the user group area, shaking hands and being photographed with everybody there. He even entered the Programming Arena and told the contenders they were “genius” (after all, the Programming Arena was his idea, 3 years ago). People in Debian booth told me he entered the booth and wore a Debian hat…

When he finally entered the private room, everybody had about 2-3 minutes with him in the middle of a circle. Presidential photographer took lots of pictures we were told will be sent to us later this week, but of course some of us also took our own pictures. Some of those are below, taken from Sergio Amadeu’s camera:

Marcelo Branco, President Lula and I

Peter Sunde, Sérgio Amadeu, Marcelo Tosatti - in blue, behind Sérgio -, Richard Stallman, I, Bdale Garbee, Dep. Paulo Pimenta, and President Lula

Jon ‘maddog’ Hall gave him a Tux pin and a DVD with a animation produced only with Free Software (I cannot recall the title). Richard Stallman gave him a printed version of his book. Marcos Mazoni gave him a small totem with the stamp celebrating 10 years of FISL (the stamp was an idea I had two years ago but that we couldn’t do by ourselves – Mazoni’s SERPRO had the same idea and actually did it), and all others (including myself) just told him what we where there for. For me, in particular, he asked where I was born and how I went from being a doctor to own a free software company. I had the impression somebody already told him about me beforehand (Mário or Marcelo, for sure). I told him I was doing both right now… he smiled, hugged me and went on to the next of us.

After that, we were told to take our places in the audience room (FISL3 room in the map), where we heard Marcelo Branco, FISL10 coordinator, Dilma Rousseff, minister of Civil House (and appointed to succeed Lula), and President Lula. It’s easy to find this audience in youtube. Most interesting part of Lula speech, IMHO, can be loosely translated into English as:

I remember the first meeting we had at Granja do Torto [which is the presidential country residence – similar to Camp David, but less aristocratic], in which I understood absolutely nothing about what these people were discussing, and there was an enormous tension between those defending the adoption of Free Software by Brazil and those defending we should just do what we always did – remain the same, buying and paying for others’ intelligence. Thanks God, in our country, the decision to adopt Free Software prevailed.

He also said many things that pleased the audience. People raised a banner asking him to block Azeredo’s bill, and he said the bill was equivalent to censorship and that in Brazil it is “forbidden to forbid”.

After those speeches, he went to some other appointments, and the day 3 of FISL10 was over. I just wish that, if any President comes to FISL again, we’d be warned in advance, so we can prepare the map accordingly, and not have to run last-minute preparations. All in all, a great participation. I think all the hassle we had because of his coming were hugely compensated by what he said.

FISL10 day 2 1

Today was a busy day for the Organization Committee. As faw told me: some people from Debian haven’t even see me yet… But all this have a reason: President Lula confirmed his coming and all his security personnel flooded FISL and asked a lot of things from the Committee.

We had to “partition” FISL. They draw a red area in our map:

and demanded that only 700 people (less than 10% of the people!!!) could access that area. We had to work all day, organizing a list of 400 people that had to work in there (people from booths, user groups, programming arena, robotics festival, etc). Those will receive a special pin. The other 300 spots, will be served in a counter that goes up and down (after 300 has entered, the only way of another person get in is someone getting out).

By noon, federal police will evacuate the red area, and will screen it (I believe looking for bombs or something like that). At 13h only those wearing the pin and the circulating 300 will be allowed back.

President will arrive by 15h. He’s scheduled to visit the red area (including the programming arena – Yeah!), then he should go into a private meeting with selected lecturers and people in Brazilian Free Software Community. Afterwards he should, himself, give a lecture in Room FISL3 (also marked in red). President will leave for other appointments and, hopefully, FISL will go back to normality.

So, all the demands from Federal Police and from the community took all day long to settle. I couldn’t attend to the sessions I wanted, nor hang out with people from Debian… Hopefully, I will not be dragged by the Organization tomorrow so I can give my lecture and attend the key signing party on Saturday… Don’t get me wrong: this is a great day for FISL (and Free Software in general) – a President of a large and democratic nation is acknowledging our existence and labour. But having to restrict access in a part of FISL is not something that pleases me (and I am sure doesn’t please the rest of the Committee). Anyways… on to day 3.

find | while read var; do something "$var"; done 2

Essa vai para a galera que scripta muito bash. É a milésima vez que tenho de repetir esse comando para alguém (na milésima-primeira eu desisto e ponho no blog para referência ;-)).

O pessoal fica estressado com nomes de arquivos com espaços, ou tentando usar xargs com mais de um comando. No loop while você pode colocar o conjunto de comandos que quiser para executar sobre a variável em questão:


bash$ find ~/photos | while read foto; do mogrify -resize 800x "$foto"; done

Simples e eficiente.

FISL10 day 1 0

FISL10 began, as usual, with lots of people from lots of places packing PUCRS’ event center in Porto Alegre. This is indeed a special edition! The official numbers are not yet computed; as I write the counter reached 7168 attendees… But since the database has been running locally yesterday on, people that registered at PUCRS are not yet counted… Registration team will merge the databases eventually, but that’s not their top priority right now.

So, this year I am not helping TVSL, which is being taken care of by Luis Felipe instead. He’s been doing a good work and there could be nobody else better than him. My quality of life increased dramatically by letting TVSL in Felipe’s hands… Maybe this year I manage to actually attend to some sessions, and to hang out with Debian guys.

This year I will partially take care of the Programming Arena. The challenge was revealed today and 11 “heroes” are, right now, trying to respond to it. It has been requested that they implement DNSCurve. They could have no better coach at this than D. J. Bernstein, who has been helping them both at the Arena and through the Arena private mailing-list.

Earlier, DJB also were in DNSCurve x DNSSEC panel, one of the most interesting technical sessions so far (bias warning: I was moderator for it). DJB and Frederico Neves (from NIC.br) exchanged arguments exposing interesting details of both secure DNS alternatives.

Also, today we got the confirmation from Brazilian Presidency that the President will attend our event. It will be on Friday, and I am too excited to hear what he has to say about free software government policies. (Apparently, apart from Linus, we managed to get everybody to show up in FISL ;) ).

I am also taking care of the Key Signing Party. This has been a rather good experience, since it requires almost nothing from me (except preparing the keylist and showing up at the scheduled time and place) :-).

See you tomorrow, at FISL!

Propus no Zero Hora 0

Diversos amigos me ligaram ou mandaram email para me informar que saí no Zero Hora de domingo, na seção “Dinheiro”. Obviamente eu sabia que tinham tirado nossa foto lá na sede da empresa, mas eu pensava que era para o especial de quarta-feira, que, com certeza, será sobre o FISL... De modo que essa matéria também me pegou de surpresa :-)

Outra foto nossa saiu no Blog da Vanessa.

Obrigado aos que ligaram comentando o assunto. Nos vemos no FISL10.

Dez razões para não perder o FISL10 de jeito nenhum! 2

O FISL tem se tornado, ao longo dos anos, uma data marcada com destaque na agenda de todos os usuários e desenvolvedores de Software Livre da América Latina (do Mundo?)... Não somente deles, na realidade… Os profissionais de TI e todo o ecossitema na volta da Informática está cada vez mais consciente do Software Livre. É com orgulho que digo isso, já que tenho feito parte da organização desse evento… No entanto, essa edição vai estar imperdível! Eis os motivos para que ache isso:

  1. Reencontrar os amigos. O FISL sempre teve esse “viés” social. É muito bom encontrar em carne e osso as pessoas com quem você se relaciona apenas eletronicamente a maioria do tempo. Nesse sentido o FISL sempre me lembrou dos antigos encontros de SysOps ou de usuários de uma ou outra BBS… Bons tempos aqueles.
  2. Encontrar ícones do Software Livre. E temos muitos esse ano! Desde o fundador do movimento (Richard M. Stallman) passando por gente proeminente (como o Michael Tiemann) até membros controversos (Peter Sunde). Isso também é uma característica do FISL: hackers são hackers… Tenham renome e reconhecimento internacional ou não. O trabalho desses ícones não é mais importante do que do anônimo, que luta em um Telecentro comunitário para ensinar crianças carentes e programar… No FISL, eles estão lado-a-lado.
  3. Participar das oficinas. E teremos oficinas muito legais esse ano! Imperdível, por exemplo, a sessão de Kernel Hacking, em que hackers do Kernel ensinarão como participar de seu desenvolvimento.
  4. Ter sua chave assinada por um montão de gente. Até ontem já tínhamos quase 100 chaves inscritas na Festa de Assinatura de Chaves e até o dia 21, quando as inscrições para a festa encerram, seguramente superaremos esse número. (Corra!).
  5. Tentar participar na Arena (sim ainda dá tempo de tentar! Tá valendo 3 Android G1!), ou torcer pelo seu grupo preferido. Além disso, o desafio da Arena será bastante relevante… Pena que não posso revelar mais detalhes ;-)
  6. Participar do festival de Robótica Livre... Uma novidade do FISL. Se você tem habilidade suficiente (eu, com certeza, não me incluo nesse grupo) de repente até conseguir alguns planos para montar o seu próprio robozinho…
  7. Tomar uma cerveja (ou refrigerante, suco, etc) com o Peter Sunde (e mais uma galera) no Bar Ocidente.
  8. Distribuir o seu currículo em troca de brindes (ou não)... Sempre é bom ter opções no mercado de trabalho em expansão do Software Livre. Muitas empresas expositoras estão contratando e, com certeza, no FISL elas encontram um grande “celeiro” de talentos entre os participantes.
  9. Atualizar-se com os temas das “Desconferências”, ou debater “Música Para Baixar” no Festival de Cultura Livre. Muita gente acha que o FISL deveria ser mais técnico e tal… Mas a Cultura Livre representa a vitória da nossa filosofia no campo Cultural. Sim! O Software Livre está ensinando a sociedade… Quão legal pode ser isso? (De qualquer forma, pela quantidade e qualidade das sessões técnicas, acho que todos ficarão satisfeitos esse ano).
  10. Conferir as surpresas que estão sendo preparadas. Todos os anos tem alguma, mas esse ano valerá bastante a pena… Podem acreditar!

Os contrastes que o FISL proporciona é o que mais me chama atenção nesse evento. Em que outro lugar você pode ver líderes de corporações, empresários, governantes com toda a segurança ao redor circulando em meio a juventude, aos hackers, aos estudantes e pesquisadores? De um lado, pessoas dando um tempo, lendo emails com o notebook no colo sentados no chão; de outro, grandes negócios sendo fechados por engravatados de grandes empresas. Algumas pessoas acham isso inconveniente, mas eu acho isso fantástico! Icônico até! Uma representação muito interessante dos novos tempos…

Veja… eu sou a fonte mais suspeita para falar do FISL: como eu já disse, tenho orgulho desse evento. Por isso resolvi limitar em 10 as razões nesse artigo (mais do que isso tenho certeza que começaria a ser muito parcial). Obviamente, excluí as razões que se repetem todos os anos… Independentemente disso, cada um tem a sua razão para participar no FISL. Qual é a sua?

PetitionOnline fora do ar! 1

Algumas pessoas me mandaram email me informando que o contador de assinaturas na petição contra o PL do Sen. Azeredo está zerado. Calma. Isso não é um erro aqui. O PetitionOnline está fora do ar… aí não tenho dados para compor o contador. Está tudo funcionando… assim que o site voltar a atividade, o contador deve recomeçar onde parou.

Três Androids G1 de barbada e eu fora! 3

É nessas horas que participar da organização do FISL cobra o seu preço… A Arena de Programação vai premiar com um celular Android G1 (cortesia do Google) os três vencedores desse ano!

Pra piorar a minha situação, o desafio desse ano (tradicionalmente um filtro difícil) não está lá essas coisas… No entanto, ninguém da organização pode participar, isso significa que, se quiser um Android G1 vou ter de comprar um…

Boa sorte aos que conseguirem resolver o desafio.

Keysigning Party at FISL10 0

We’ll be holding a Keysigning Party at FISL10. This will be a good opportunity to renew my key, given I’ve been using it since 2001 and it’s an old 1024 DSA key.

I have to thank Aníbal Monsalve Salazar and Alexander Wirt for sharing their expertise in organizing this kind of event. More information on the KSP can be obtained from the announcement.

Internet e Anonimidade 5

Pode parecer estranho, mas a Internet nunca foi projetada para ser uma rede anônima. O endereço de IP único identificaria definitivamente cada ponto conectado a rede. Se você já construiu uma rede local sabe exatamente do que estou falando… a maneira mais fácil de fazê-lo é atribuir um número de IP novo, único e imutável para cada ponto na rede, e era exatamente isso que era feito quando a Internet estava em sua infância.

Você pode ver um mapa de como a Internet, em sua presente encarnação, está dividida por áreas (e, claro, uma versão do XKCD). Prova de que o espaço de números na Internet foi, inicialmente, tratado como nós mesmos tratamos pequenas redes locais é a grande área no quadrante superior esquerdo desse mapa… nessa área vemos que universidades e companhias americanas daquela época detém enormes espaços de números, enquanto enormes regiões do globo detém frações desses espaços (sim… somando Xerox e IBM temos o mesmo espaço que toda a América Latina e Caribe!).

O que fez a Internet tornar-se uma rede quasi-anônima foi exatamente o seu enorme sucesso. Quando os blocos disponíveis começaram a ser mais rapidamente alocados coisas como “o fim do mundo” começaram a ser previstas. (Atualmente, acreditamos que em qualquer momento pelo fim de 2010 o espaço disponível para alocação vai simplesmente acabar) O que salvou a Internet (e continua a retardar o fim dos tempos) foi o NAT. O NAT permitiu a utilização de um número limitado de IPs “quentes” por um número ilimitado de IPs “frios”. Isso permitiu o crescimento da Internet comercial: artificialmente geramos um “cidadão de segundo nível” (detentor de um IP “frio”)... alguém dependente de um provedor de acesso (os detentores dos IPs “quentes”).

Com a pulverização dos provedores e dos usuários ficou extremamente difícil rastrear a utilização que alguém faz da Internet. Como subproduto disso temos uma anonimidade de facto. A história vai dizer se tenho razão ou não, mas acredito que esse subproduto é e está sendo extremamente importante para a manutenção dos direitos aqui fora, no mundo real. Coisas como o WikiLeaks, a Freenet e o Tor têm sido extremamente importantes, preservando a anonimidade das pessoas e denunciando abusos aos direitos de inúmeras pessoas (e até nações!).

É claro que isso incomoda muita gente… Principalmente muita gente poderosa. Pessoas que estão sujeitas a mais um tipo de escrutínio em suas ações. Pessoas que suprimiriam seus acusadores sem mais delongas, caso soubessem quem são. Além de, é claro, pessoas que não querem arcar com os custos que as demandas on-line exigem no quesito segurança. Não me surpreenderia nem um pouco se descobrissem que motivos como esse estejam por trás de Projetos de Lei como o do Senador Azeredo (e seus similares mundo afora).

Já escrevi antes, mas não custa repetir: os únicos prejudicados por tais “leis” são os que tentarem cumpri-la. Sim, eu e você… Pessoas comuns, que não têm nada a temer por navegar abertamente na Internet. Os verdadeiros criminosos, esses vão apenas colocar mais uma camada de proteção. Como disse David Wheeler: Qualquer problema em ciência da computação pode ser resolvido com mais uma camada de indireção... E isso é exatamente o que os criminosos farão! Nós, pessoas de bem, é que estaremos sujeitos ao escrutínio diário, ininterrupto e completamente sem motivo algum!

Pense bem: você estaria disposto a ter 100% dos seus passos registrados, 100% das vezes no mundo real? Por que você permitiria isso no mundo virtual? “Por que os malditos pedófilos precisam ser presos!!!” alguns responderão. Mas esses pedófilos não vão ser presos… simplesmente por que, facilmente, colocarão uma camada extra de proteção. No início será interessante, ver alguns desses doentes (sim, a pedofilia é uma doença, antes de ser um crime) sendo presos… Porque doentes são, geralmente descuidados. Mas prendê-los é o principal objetivo? Vou mudar a pergunta um pouquinho: prender o consumidor de drogas é o principal objetivo? (ou seria prender o traficante?). Sim… assim como os traficantes, os vendedores de pedofilia sairão impunes, simplesmente porque não são tão descuidados quanto os doentes!

Mesmo que ganhemos a batalha contra o projeto-de-lei do Sen. Azeredo, vejam que essa é apenas a primeira batalha. A menos que estejamos dispostos a manter uma vigilância constante para entrarmos nos próximos embates bem embasados (e, mais que isso, estejamos dispostos a jogar o mesmo jogo por vezes sujo que o adversário), perderemos a guerra. Sempre vai existir o próximo Sen. Azeredo… Mas existe uma solução em definitivo: refazermos a rede.

Sim… refazermos a rede. Hoje a Internet é “clientelista” e não o é sem motivo… Dependemos dos meios físicos, dos cabos trans-atlânticos, dos satélites, do cabo do provedor… Pagamos por isso, e somos submetidos a ser um “cidadão de segundo nível” na Internet. É assim porque, por mais que queiramos acreditar o contrário, no fundo a Internet tem “dono”. Mas não precisa mais ser assim…

A tecnologia evoluiu e podemos nos conectar sem fios, com o mínimo de investimento, comprando apenas uma antena (um Access Point)... De uma maneira quase milagrosa, essas antenas podem se enxergar umas às outras, e se comunicar entre si. Os mais “antenados” (no pun intended) já perceberam do que falo: redes Mesh. Existem protocolos de redes Mesh que mantém a anonimidade, e que podem crescer ad infinitum, como o Netsukuku (Sim, eu sei que o IPv6 é bastante grande, mas o infinito é bem maior :-) ), ou projetos bastante interessantes, como o Roofnet do MIT. Quando todos estivermos em uma gigante rede Mesh, pra que precisamos da Internet mesmo? E nesse momento, o que farão os detratores da liberdade?

Inspiring picture 3

Just this week I went to the movies to check the latest incarnation of Cap. Kirk, Mr. Spock et al. It really was a great movie… I was expecting less, I have to admit. But the movie was not bad at all…

With all that “space and beyond” thing in my mind, yesterday I was surprised with a greatly inspiring picture taken from Hubble Florida, before STS-125 reach Hubble (thanks Florian Weimer for the heads-up):

How inspiring can that be?

You can find the original here, along with the explanation of how and when it was taken.

Saúde da economia Brasileira 0

Sei que não é um tópico frequente aqui, mas resolvi blogar sobre uma conversa que alguns amigos e eu tivemos há alguns dias sobre a aparente (?) saúde da economia Brasileira.

Veja, antes de mais nada, que não sou economista e que o pouco que entendo do assunto é por interesse próprio, porém sem a mínima base acadêmica. (Gostaria, inclusive, de ouvir a opinião de alguém entendido).

Todos estávamos comentando sobre como o corte do IPI para carros e para eletrodomésticos da chamada “linha branca” ativou o mercado local e manteve os níveis de vendas no comércio, mantendo, portanto, uma atividade econômica suficiente para evitar o aumento do impacto que a crise mundial vinha tendo sobre o Brasil. Rapidamente o papo evoluiu para o “dever de casa” que o Brasil insiste em não realizar: reforma tributária…

Para encurtar o assunto, a opinião predominante foi que o impacto da crise tem um belo potencial de ser muito menor no Brasil do que no restante do mundo e isso graças a não termos feito o dever de casa! Sim… graças a não termos baixado as taxas de juro para níveis “de primeiro mundo” é que ainda temos o que cortar, assim como graças a termos a maior carga tributária do planeta (do universo?), podemos lançar mão do corte de impostos como forma de ativar a economia… Coisa impensável para os países como os EUA, que têm déficits orçamentários de proporções homéricas, e já não têm mais onde cortar o juro.

No entanto, como um pensamento posterior, enquanto meditava sobre a conversa, fiquei com “a pulga atrás da orelha”... E se tivéssemos feito o dever de casa? E se nossas taxas de juro fossem menores previamente à crise, e nossa carga tributária estivesse melhor ajustada? Apesar de especulativo, acho que teríamos uma economia ainda mais forte para suportar a crise! É verdade que talvez dispuséssemos de menos ferramentas de controle monetário (e econômico)... mas talvez nem precisássemos delas! O setor que mais sofreria é o que mais está sofrendo: o exportador. Mas isso é efeito da crise no mundo: todos estão comprando menos… No entanto o mercado interno estaria muito maior e teríamos muito mais empresas vendendo para ele, o que significa emprego auto-sustentável (ou melhor, sustentado no crescimento do mercado interno, que seria mais “bem influenciado” por menos impostos do que “mal influenciado” pelos impactos da crise).

Pode ser que eu não tenha um entendimento profundo do assunto, mas logicamente, com crise ou sem crise, quanto antes fizermos o dever de casa, melhor! Meu maior medo é que o pensamento que acabou predominando naquela conversa (de que é bom termos juros e impostos altos para momentos como esse) acabe “pegando”. Não! Por favor… não é assim que devemos justificar não termos aquecido a economia antes! Devemos, isso sim, utilizar a crise como um catalisador para essas mudanças! Ou alguém discorda que seria bom que o IPI ou os juros nunca voltassem aos níveis anteriores?